Rio tem caso de febre amarela silvestre
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2000
Por Roberta Jansen e Beatriz Coelho Silva 
Rio, 13 (AE) - A Secretaria Municipal de Saúde do Rio confirmou hoje um caso de febre amarela silvestre no município. A estudante de desenho industrial Sofia Cavalieri de Pádua, de 24 anos, contraiu a doença na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, para onde viajou no fim do ano. Hoje, durante todo o dia, agentes sanitários vacinaram todos os moradores do condomínio Village da Floresta, em Jacarepaguá, na zona oeste, onde mora a a estudante.
A vacinação continua amanhã no condomínio vizinho, Village do Itanhangá. "Estamos vacinando pessoas num raio de 300 metros de onde mora a jovem", informou o coordenador regional da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Guilherme Franco Netto. Essa distância, disse, equivale ao alcance do vôo do aedes aegypti, transmissor da febre amarela e da dengue.
Técnicos da Vigilância Sanitária vistoriaram as 42 casas do condomínio e encontraram em uma delas um foco de larvas do mosquito. Amanhã eles colherão amostras de aedes aegypti adultos para verificar se estão contaminados. Ao todo, foram encontrados no Village da Floresta 40 focos de diferentes mosquitos. Os especialistas colocaram inseticidas em todos os recipientes com águas paradas encontrados.
"Agora queremos examinar as pessoas que viajaram com a moça para ver se alguma delas foi contaminada", afirmou o secretário municipal de Saúde, Ronaldo Gazolla. Segundo ele, a possibilidade de um novo caso é remota, pois nenhum deles apresentou sintomas.
Vacina - Gazolla não acredita que haja risco de uma epidemia de febre amarela. A Secretaria, no entanto, está mandando a 23 postos de saúde um milhão de doses da vacina contra a doença. Outras 12 milhões de doses estão reservadas em Brasília, para o caso de novos casos. "Por enquanto, não é necessário que toda a população tome a vacina", disse.
"Mas pedimos que todos que forem viajar para regiões que apresentam casos de febre amarela se vacinem com dez dias de antecedência." Os locais em que há registro da doença são: Rondônia, Acre, Amazonas, Pará, Roraima, Amapá, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Triângulo Mineiro e área do Maranhão que faz divisa com o Pará.
A forma da doença que aparece nesses locais é a silvestre, transmitida pelo mosquito haemagogus. O último registro de febre amarela urbana, transmitida pelo aedes aegypti
no Brasil data de 1942.
As autoridades sanitárias pretendem ainda mudar a estratégia de combate ao aedes aegypti. "Queremos que a sociedade civil também se responsabilize pelo controle", afirmou a coordenadora de epidemiologia do município, Mari Baran. "Não temos guardas de endemia em número suficiente para entrar em todos os apartamentos, em todos os escritórios." A prioridade, segundo ela, é enviar os técnicos para áreas de favelas, sem sanemento básico, terrenos baldios, entre outras. "É preciso que os síndicos, por exemplo, se responsabilizem pelos prédios, sob pena de receber multas."


