Rio tem 4º caso suspeito de febre amarela; Fiocruz divulga na quarta resultados dos exames
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2000
Por Roberta Jansen 
Rio, 17 (AE) - A Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) deverá divulgar quarta-feira os resultados dos exames feitos em três pessoas do Rio suspeitas de estarem com febre amarela silvestre. Um quarto caso, de um vizinho da estudante Sofia Cavalieri (que contraiu a doença em Goiás e já está curada) também está sendo analisado pelos especialistas da Fiocruz por precaução - ele apresenta febre e dor de cabeça, mas não os demais sintomas da doença. Se este caso for confirmado, no entanto, será o primeiro de febre amarela urbana registrado desde 1942.
Os três novos casos suspeitos de febre amarela silvestre
notificados no último fim de semana, são importados. As pessoas que apresentaram sintomas semelhantes aos da doença viajaram para regiões consideradas de risco no País: Goiás, Pará e Amazonas. Durante todo o dia de hoje, técnicos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) estiveram em Campo Grande, na zona oeste, e no Méier, na zona norte, onde moram duas das pessoas com suspeita da doença, para tratar os focos de mosquito e capturar os insetos. O mesmo trabalho foi feito em Ipanema, na zona sul, onde mora a terceira pessoa suspeita de contaminação, mas nada foi encontrado.
Segundo a coordenadora de epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, Mari Baran, se for confirmado o diagnóstico, os especialistas avaliarão se será necessária a vacinação dos moradores dessas regiões. No fim da tarde, foi realizada uma reunião entre as secretarias municipal e estadual e a Funasa para definir estratégias de combate ao problema. Suspeitos - Moradora de Ipanema, M.A.M.S, de 43 anos, viajou, no dia 03, para a região do Rio Ariaú, no Amazonas, distante duas horas de Manaus. Ela permaneceu no local até o dia 06 e no dia 08 estava de volta ao Rio. Quarenta e oito horas depois, apresentou febre, prostação, dores nas articulações e diarréia. Atendida em uma clínica particular da zona sul, no dia 13, foi colhido material para exames de malária (que deu negativo) e de febre amarela. Ela está em casa e passa bem.
E.J.M, de 30 anos, mora em Campo Grande e foi passar o réveillon em Goiânia, num local a 50 km do centro da cidade. Ele viajou no dia 26 de dezembro e lá circulou em uma área de aproximadamente 600 metros de mata fechada. No dia 08, quatro dias após de retornar ao Rio, E.J.M. começou a apresentar sintomas parecidos com os da febre amarela. Ele está internado em uma clínica particular da zona oeste e passa bem.
M.V.R., de 59 anos, começou a apresentar dores no corpo e febre alta no dia 09. Residente no Méier, ele viajou no dia 1º de dezembro para o Pará, onde foi passar as festas de fim de ano. M.V.R. ficou hospedado em uma cidade do interior, perto de uma região de floresta. Internado no Hospital do Fundão, ele está com quadro clínico estável. Vacinação - Por enquanto, a Coordenação de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde informa que não há necessidade de vacinação em massa, já que os casos que estão surgindo no Rio são importados. Somente as pessoas que viajarão para as regiões consideradas de risco é que devem tomar a vacina. Segundo Mari Baran, as secretarias de Saúde pretendem desenvolver um trabalho junto às agências de viagem.
"Com o aumento do ecoturismo é necessário que haja uma conscientização de que o turista tem que tomar a vacina", disse. A idéia, de acordo com Mari, é que os turistas apresentem certificado de vacinação para viajar para estas áreas consideradas de risco.


