Das agências
Do Rio, Recife e
São Paulo
A Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) deverá divulgar quarta-feira os resultados dos exames feitos em três pessoas do Rio suspeitas de estarem com febre amarela silvestre. Um quarto caso, de um vizinho da estudante Sofia Cavalieri (que contraiu a doença em Goiás e já está curada) também está sendo analisado pelos especialistas da Fiocruz por precaução - ele apresenta febre e dor de cabeça, mas não os demais sintomas da doença. Se este caso for confirmado, no entanto, será o primeiro de febre amarela urbana registrado desde 1942.
Os três novos casos suspeitos de febre amarela silvestre notificados no último fim de semana, são importados. As pessoas que apresentaram sintomas semelhantes aos da doença viajaram para regiões consideradas de risco no País: Goiás, Pará e Amazonas. Durante todo o dia de ontem, técnicos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) estiveram em Campo Grande, na zona oeste, e no Méier, na zona norte, onde moram duas das pessoas com suspeita da doença, para tratar os focos de mosquito e capturar os insetos. O mesmo trabalho foi feito em Ipanema, na zona sul, onde mora a terceira pessoa suspeita de contaminação, mas nada foi encontrado.
Segundo a coordenadora de epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, Mari Baran, se for confirmado o diagnóstico, os especialistas avaliarão se será necessária a vacinação dos moradores dessas regiões. No fim da tarde, foi realizada uma reunião entre as secretarias municipal e estadual e a Funasa para definir estratégias de combate ao problema.
O ministro da Saúde, José Serra, afirmou ontem em Recife (PE) que não haverá campanha nacional de vacinação contra a febre amarela em virtude do surgimento, este ano, de casos da forma silvestre da doença.
Segundo o ministro, a imunização será feita de forma localizada e dirigida às pessoas que viajarem para as regiões Norte e Centro-Oeste, consideradas de maior risco para a contaminação. Serra disse que, em 1998, o governo federal já fez uma campanha nacional de imunização, ‘‘que infelizmente não teve um décimo da divulgação desses dois ou três casos que apareceram agora . O efeito da vacina dura dez anos.
‘‘Vacinamos 25 milhões de pessoas nas regiões Norte e Centro-Oeste e em parte dos Estados de São Paulo, Minas e Paraná, que tinham problemas , disse. Ainda de acordo com o ministro, se não fosse a vacinação de 1998, a situação hoje poderia ser de calamidade. ‘‘Hoje, restam para vacinar de 1 a 2 milhões de pessoas, cujo acesso é muito difícil , informou. O governo federal, segundo Serra, ‘‘já previa a possibilidade de surgimento de novos casos de febre amarela e formou um estoque de 50 milhões de doses de vacinas contra a doença. ‘‘Tem vacina para todo mundo. Em Recife, o ministro assinou uma portaria liberando R$ 1,1 milhão para o atendimento de 139 crianças portadoras de doenças congênitas do coração no Estado.
O ressurgimento de doenças que já haviam sido erradicadas no País – como a febre amarela e a malária – é um problema de saúde pública ‘‘sério e real e que só pode ser superado por meio de vacinação de toda a população, afirmou o o superintendente da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) de São Paulo, o epidemiologista Luiz Jacinto.
‘‘No caso da febre amarela, a vacina é produzida no Brasil, o que diminui custos , disse. Além disso, segundo ele, já existem a estrutura das campanhas de vacinação, como a da pólio, e os postos de saúde que podem ser aproveitados para uma imunização em massa.

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