São Paulo, 04 (AE) - A Rio Sul Linhas Aéreas fechou o balanço de 1999 com prejuízo de R$ 9,9 milhões. É o primeiro resultado negativo em sete anos e foi atribuído pelo presidente da companhia, Percy Rodrigues, ao desempenho da subsidiária Nordeste Linhas Aéreas. "A desvalorização cambial em janeiro do ano passado pegou de surpresa muitas empresas e a Nordeste tinha 40% dos seus contratos corrigidos e atrelados ao dólar, volume que cai para 30% em relação à Rio-Sul", diz Rodrigues.
O executivo afirma que a Rio-Sul teria fechado o ano com lucro de R$ 6,2 milhões não fosse o resultado negativo da Nordeste que, como exige a lei das S. As., foi consolidado no balanço. O passivo total das duas empresas também aumentou, passou de R$ 274,1 milhões em 1998 para R$ 309,06 milhões no ano passado. Da mesma forma, o patrimônio líquido apontou queda, de 8,8%, caindo de R$ 126,1 milhões para R$ 115,02 milhões de um ano para outro.
Otimismo - Rodrigues, no entanto, prevê para este ano um crescimento de 16,1% na receita líquida de vôos da Rio-Sul. No ano passado, esse resultado foi de R$ 611,9 milhões, o que significa chegar com R$ 710 milhões até dezembro. Da mesma forma
o número de passageiros transportados sairia de 3,57 milhões para 4 milhões, o equivalente a crescimento de 12%. Para a Nordeste, a previsão é ainda mais otimista. A empresa sairia da atual receita líquida de vôos de R$ 136 milhões para R$ 184 milhões, crescendo 35,3% de 1999 para 2000, enquanto o número de passageiros transportados passaria de 752 mil para 930 mil.
"Não temos dúvidas de que essas metas serão atingidas, e a previsão de maior receita para a Nordeste é porque atua em área ainda em expansão, ao passo que a Rio-Sul já tem área definida em que consolida a sua posição", diz Rodrigues. Segundo o executivo, os contratos de leasing (aluguel com direito a compra) de aviões, em dólar, e de fornecimento de combustíveis, foram os responsáveis pelo resultado negativo da Nordeste, mesmo com a empresa tendo apresentado receita bruta superior de um ano para outro, passando de R$ 109 milhões em 1998 para R$ 136 milhões.
A receita bruta da Rio-Sul saltou de R$ 553 milhões em 1998 para R$ 641 milhões no ano passado e a previsão para este ano é que chegue a R$ 751 milhões. "O setor de transporte aéreo regional ainda está em crescimento, por isso a Nordeste deve ter aumento de receita, assim como a Rio-Sul", avalia.
Rodrigues adiantou, ainda, que as duas empresas começam a preparar o balanço do trimestre, o primeiro resultante da unificação das duas empresas de transporte aéreo regional na holding Varig Transportes Aéreos, presidida pelo ex-ministro e ex-presidente da Embraer Ozires Silva. "A expectativa é que a CVM (Comissão de Valores Mobilários) aprove a cisão do grupo Varig em três holdings de capital aberto e que possamos iniciar vida ainda no primeiro semestre". As outras duas holdings são a própria Varig e a Varig Serviços, que reúne a rede de hotéis Tropical, a Sata e o sistema de reservas Amadeus.
Hoje, à tarde, Rodrigues também participou de reunião no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) visando à liberação da segunda parcela de empréstimo de US$ 560 milhões para a aquisição de 30 aviões ERJ- 145, o jato de 50 lugares da Embraer que a Rio-Sul batizou de Jet Class. A primeira parcela de US$ 280 milhões, referente a 15 aviões, já foi liberada. Agora, trata-se da segunda parcela. "Estamos modernizando a frota porque o fluxo de passageiros nas nossas rotas é crescente", diz.
Hoje, a Rio-Sul tem uma forta de 41 aviões, dos quais 15 Boeing 737-500, 14 Jet Class (o décimo quinto deve ser entregue nos próximos dois meses), 4 Fokker-50 e 8 Brasília, também da Embraer. A frota da Nordeste é composta por 12 aviões, dos quais 3 Boeing 737-500, 2 Jet Class, 4 Fokker-50 e 3 Brasília. A aquisição de aviões da Embraer, com apoio do BNDES, permitirá à Nordeste aumentar suas frequências e rotas.

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