Rio sugere troca de presos entre Estados
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terça-feira, 18 de março de 2003
Agência Estado 
Rio - O secretário de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro, Astério Pereira dos Santos, sugeriu ontem que o Rio receba presos de um outro Estado que aceite ficar com o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Ele citou o sequestrador paulista Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, como exemplo de bandido que poderia ser trocado.
Santos acredita que, tirando os criminosos de suas bases, as ações criminosas seriam desarticuladas. ''Quando você transfere um preso, você acaba com os tentáculos dele. Para o bem do Brasil, deve haver a transferência de presos entre os Estados, que é benéfica para o combate à criminalidade'', disse o secretário. ''O governo do Rio está mais aliviado com a transferência de Beira-Mar. Da mesma forma que São Paulo poderá ficar com a de Andinho.''
Ele afirmou ainda que o Rio tem condições de receber os presos de outros Estados e está sempre disposto a ajudar. Para ele, o problema não é quem é o preso, e sim o fato de ele estar perto de seus comparsas o que facilita que o bandido continue a praticar crimes mesmo atrás das grades.
O secretário lembrou que o Rio já recebeu dois presos paulistas do Primeiro Comando da Capital (PCC), depois que a facção comandou uma megarrebelião nos presídios paulistas. ''Quando recebemos os presos de São Paulo não houve essa celeuma toda'', disse, ressaltando que a ida de Beira-Mar para o presídio de Presidente Bernardes (SP) foi decidida pelo governo federal, e não pelo Estado. Trazer o traficante de volta ao Rio seria um retrocesso, acredita.
O governo federal já deve ter o local para onde o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, deve ser transferido, a partir do dia 28 deste mês, quando deverá deixar a penitenciária de Presidente Bernardes, no interior de São Paulo. No entanto, evitará divulgar antecipadamente até mesmo por questão de segurança. Mas de uma coisa o próprio governo começou a ter certeza, nos últimos dias: ninguém quer Beira-Mar e presídios federais por perto.
Adversários históricos, deputados distritais de oposição e situação se uniram hoje, pela primeira vez nos últimos anos, para levar ao ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, um pedido para que não seja construido o presídio federal em Brasília. No documento entregue ao governo federal, os parlamentares justificam que no Distrito Federal existem, além dos poderes centrais, todas as representações diplomáticas.
No final da tarde foi a vez do Acre protestar contra a possibilidade de ter de receber Beira-Mar. O governador Jorge Viana já afirmou que teme a proximidade do Acre com a Colômbia.


