Rio prepara abaixo-assinado contra venda de armas em todo País
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domingo, 09 de maio de 1999
Por Andréia Maia e Felipe Werneck 
Rio, 10 (AE) - Um abaixo-assinado pedindo a proibição da venda de armas começa a circular amanhã (11) no Rio. A intenção é colher um milhão de assinaturas pedindo a criação de uma lei que impeça a venda de armas em todo País. O documento, iniciativa do governo estadual e Movimento Viva Rio, deverá ser entregue ao presidente Fernando Henrique Cardoso pelo governador Anthony Garotinho. A decisão foi tomada após o assassinato, ontem (09), da médica Rosita Bichucher, de 61 anos. Um clima de consternação marcou o enterro da médica, hoje.
Rosita foi morta com um tiro na cabeça durante assalto ao prédio em que mora sua mãe, Berta Rose, de 91 anos, na Lagoa Rodrigo de Freitas, uma das áres mais valorizadas do Rio. O crime chocou a população fluminense e levou o governador a decidir intensificar a campanha de desarmamento lançada no Estado. O abaixo-assinado deve se passado, inicialmente, na Favela do Pereirão, em Laranjeiras, zona sul da cidade, onde o governo começou o projeto de ocupação social.
A polícia pretende divulgar até amanhã (11) o retrato-falado dos dois acusados de matar a médica. Segundo testemunhas, os criminosos são brancos, fortes e de estatura baixa. Este foi quarto assalto de repercussão ocorrido em condomínios de classe média na zona sul do Rio. Desde o início do ano, quadrilhas invadem apartamentos de classe média e roubam jóias e dinheiro, após prenderam os moradores dentro de elevadores e na casa de força dos prédios. Desabafo - O filho de Rosita, o jornalista e guia de turismo, Arnaldo Bichucher, de 37 anos, relaciona a morte de sua mãe aos problemas sociais e econômicos. "A falta de emprego, educação e desigualdade social acabam criando essa situação", desabafou o jornalista. "Não é um problema municipal, estadual, mas federal. Precisamos encontrar uma solução porque ninguém nasce assassino", disse.
O abaixo-assinado, pedindo a proibição da venda de armas em todo o País, começa a circular amanhã no Estado. As atrizes Lucinha Lins e Maitê Proença e o analista de sistemas Carlos Gustavo Santos Pinto Moreira, o Grelha, que foi baleado em atentado ao ator Tarcísio Filho, em 1986, e ficou paralítico, devem ser os primeiros a assinar o manifesto. A expectativa é recolher um milhão de assinaturas até agosto, quando o documento será enviado ao presidente da República.
Armas - O deputado estadual átila Nunes (PMDB) encaminhou hoje ao secretário de estadual de Segurança, coronel Josias Quintal, um dossiê sobre a venda de armas de brinquedos no Rio, com base no depoimento de R.S., de 13 anos. O menino, de classe média alta, contou que ele e vários amigos compraram armas em camelôs do centro e do Largo do Machado. Eles usam as armas para brincar de polícia e ladrão nas ruas da zona sul. O deputado, autor de uma lei estadual que proíbe a comercialização de brinquedos que incitem à violência.
As 34 armas de brinquedo disponíveis no mercado carioca podem ser adquiridas também por catálogo. Os armamentos vão de pistolas, vendidas por R$ 70,00, a fuzis AR-15, que custam R$ 230,00. R.S. ganhou a primeira pistola de brinquedo do pai, que é colecionador de armas. "Meu pai tem confiança em mim, sabe que eu não vou fazer nada de errado", disse. O menino reconhece
no entanto, que conheceu outros garotos que usavam os brinquedos para assaltar.
"É porta de entrada para o crime: o rapaz assalta com a arma de brinquedo até juntar dinheiro e comprar uma de verdade"
diz o parlamentar. "A repressão a este comércio tem de ter o mesmo rigor que a represão a vendas de armas verdadeiras". átila Nunes disse que encontrou um site na Internet, em português, que ensina como fabricar um disquete-bomba. O artefato teria o poder de danificar o computador e provocar um curto-circuito. O assunto também foi encaminhado ao secretário de Segurança, que está viajando. (Colaborou Clarissa Thomé, especial para a AE)


