Rio pode perder condição de manancial
Marta Medeiros
De Maringá
Especial para a Folha
A falta de um processo efetivo para recuperar a Bacia do Pirapó, responsável pelo abastecimento de água em Maringá, pode levar o rio a perder sua condição de manancial. Alterações na característica da água, aumento no custo do processo de tratamento e também a necessidade de elevar o volume de vazão, foram alguns dos problemas observados pela Sanepar a partir de 1991. Desenvolvemos algumas ações, porém percebemos que sem o envolvimento da comunidade é difícil lutar pela recuperação do Pirapó, ressalta o químico Lorenso Cassaro, gestor ambiental da empresa em Maringá.
O Rio Pirapó enfrenta problemas como assoreamento, erosão, falta de mata ciliar e também a presença de lavouras nas barrancas. A água bruta do Pirapó chega barrenta na estação de tratamento, provocando, entre outros problemas, o aumento de 60% no custo do tratamento.
Na busca de soluções para a degradação do rio, a Sanepar está formando parcerias com o município e a Universidade Estadual de Maringá para efetivar o Plano Integrado de Gerenciamento de Mananciais, projeto que busca a recuperação das bacias hidrográficas do Paraná.
Segundo a professora Sueli Train, bióloga do Núcleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e Aquicultura (Nupélia) da Universidade Estadual de Maringá, a falta de recursos financeiros está impedindo o desenvolvimento de um projeto ambicioso e definitivo para a Bacia do Pirapó.
Ela informou que uma equipe multidisciplinar da universidade vai fazer por conta própria uma campanha piloto para coletar materiais do rio até o final deste mês. Os pontos de amostragem serão divididos entre a nascente, no município de Apucarana, até o lugar onde hoje é feito a captação da água na região de Maringá.
Sempre que posso levo estudantes no local para mostrar que a lâmina de água na captação tem menos de 30 centímetros. Se nada for feito, a vida útil do Pirapó como manancial estará comprometida. Por isso, a urgência de ações que visem o aumento da quantidade e da qualidade da água, reforça a bióloga, que tem doutorado na área de saneamento.
Para Sueli, somente um diagnóstico completo poderia informar as verdadeiras condições de sanidade do Pirapó. Seria necessário um levantamento dos aspectos geomorfológicos, hidrológicos, biótipos, além da observação do aspecto sócio-econômico do rio, incluindo a análise do uso e ocupação do solo local, explica Sueli. O Nupélia espera ainda condições financeiras para conseguir imagens de satélite e fotografias aéreas que iriam colaborar nas pesquisas sobre o rio.
A bióloga lamenta o fato das prefeituras não terem levado adiante o projeto do Consórcio Intermunicipal de Recuperação do Rio Pirapó, criado no início de 1990 e abandonado pelos próprios prefeitos. É um retrocesso tremendo o fato do Pirapó, que pertence à Bacia do Paraná, não receber atenção necessária, completa Sueli.
O gestor ambiental da Sanepar ressalta que não há como implantar o projeto de gerenciamento do Pirapó sem o envolvimento da comunidade através do poder público, iniciativa privada, entidades, universidade e Organizações Não-Governamentais (ONGs). O processo é contínuo e parte do princípio de ações educativas e busca de recursos para o desenvolvimento das ações, informa Cassaro.
A Bacia do Pirapó tem uma área total de 5.026 quilômetros quadrados, mas a prioridade de ações está localizada em 1.180 quilômetros quadrados.Captação e tratamento de água do Pirapó para abastecer Maringá chegam a ter custo 60% maior por causa da degradação ambiental
Marcos NegriniEmergênciaRio Pirapó sofre com o assoreamento, erosão e falta de mata ciliar; manancial exige recuperaçãoMarcos NegriniAssoreamentoEstação de captação da Sanepar recebe a água barrenta: profundidade do leito é inferior a 30 centímetros





