Rio não registra novos casos de febre amarela; suspeito de ter a doença continua internado
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2000
Por Eliane Azevedo 
Rio, 19 (AE) - O superintendente de Saúde Coletiva da Secretaria Estadual de Saúde do Rio, Carlos Eduardo Aguilera Campos, afirmou hoje que o vírus da febre amarela não existe no Estado. "O único caso constatado veio de fora e fizemos um trabalho de controle", explicou, referindo-se à estudante Sofia Cavalieri, moradora da Barra da Tijuca, na zona oeste. A estudante contraiu a doença em uma viagem à Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Nenhum novo caso suspeito surgiu hoje. O resultado dos exames do único suspeito de ter contraído a doença
o mato-gossense B.T.D., ficarão prontos sexta-feira.
Apesar de o risco de uma epidemia da doença no Estado estar afastado, pelo menos por enquanto, o fantasma da febre amarela fez ressurgir uma pendenga entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), uma das principais produtoras da vacina, e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), sobre o uso de animais silvestres para pesquisas científicas. Desde meados do ano passado, a fundação está proibida pelo Ibama de capturar e manter em cativeiro as espécies que podem funcionar como reservatórios do vírus da forma silvestre da febre amarela.
Segundo o diretor do Instituto Oswaldo Cruz, José Rodrigues Coura - responsável pela pesquisa da doença -, o monitoramento desses animais é indispensável para o controle da febre amarela. Não fosse a proibição, a Fiocruz estaria agora empenhada em capturar e estudar os gambás e macacos que proliferam na mata atlântica ao redor do bairro de Santa Teresa - onde está hospedada a pessoa suspeita de ter contraído a doença, o mato-grossense B.T.D., morador de uma área endêmica, que está de férias no Rio. "Nossa tarefa é nos antecipar à doença; a suspensão dessa atividade não prejudica a produção de vacinas, mas nos impede de fazer o monitoramento necessário", afirmou Coura.
A suspensão foi determinada após uma denúncia da organização não-governamental Fala Bicho, que ingressou com uma representação no Ministério Público, em dezembro de 1998, contra a Fiocruz por maus-tratos. O MPF ainda está analisando o caso mas, em julho do ano passado, uma comissão formada por procuradores da República, fiscais do Ibama e representantes do Fala Bicho visitaram as instalações da fundação. O coordenador regional do Ibama, Carlos Henrique Abreu Mendes, contou que não se constataram maus-tratos, mas apenas um problema burocrático: a Fiocruz tem autorização do órgão para manter macacos em cativeiro e não gambás - animal que comumente serve como repositório do vírus.
"Se a Fiocruz solicitasse essa autorização, seria dada, porque não é uma espécie em extinção", afirmou. Foi a falta do documento que motivou a suspensão. Coura, no entanto, afirmou que o instituto não respondeu os ofícios enviados pela Fiocruz, em dezembro, sobre a questão. Agora, segundo Mendes, o Ibama do Rio vai intermediar a negociação com Brasília. Ele pretende marcar uma reunião com o Ministério Público para resolver a questão.


