A ajuda das Forças Armadas no combate à criminalidade no Rio não consta do programa de governo de Anthony Garotinho (PDT), mas foi um dos recursos anunciados pelo novo secretário de Segurança do Estado, general José Siqueira Silva - na verdade, um super-secretário, com status de coordenador e a quem devem ficar subordinadas, além das Polícias Civil e Militar, a secretaria de Justiça e a de Defesa Civil. Chamar o Exército, no caso carioca, não é uma novidade: foi o que aconteceu em 1994 e em 1995, nas Operação Rio 1 e 2.
A participação de militares no policiamento não foi bem-vista pelas entidades de direitos humanos e, como não houve resultados expressivos, a atuação conjunta foi morrendo aos poucos. Mas Siqueira, amigo do general Ângelo Barata, comandante militar do Leste durante a realização da Rio 92 - responsável, portanto, pelo esquema de segurança que pôs as tropas policiando ruas e morros -, quer resgatar a idéia, que, a princípio, seria aplicada à área de inteligência.
Em sua primeira entrevista após indicado, o general admitiu que não pensa em usar o Exército em operações de rua, porque são típicas de polícia. Mas, em casos excepcionais, quando esgotada a capacidade das polícias estaduais, Siqueira afirmou que pediria a presença do Exército para complementar a ação policial. A indicação do general partiu do ex-governador Leonel Brizola, a quem se ligou durante a segunda gestão brizolista.
Um dos primeiros pontos do programa de Garotinho já foi implementado: a criação de um conselho de Segurança Pública, presidido pelo general e composto pelos cientistas políticos Luís Eduardo Soares e Bárbara Soares, pelo antropólogo Rubem César Fernandes, diretor do Viva Rio, pelo delegado Carlos Alberto d’Oliveira e pelo coronel da Polícia Militar Sergio Cruz.
Cabe a esse conselho a formulação da política e estratégias para o combate ao crime, que devem incluir a adoção do policiamento comunitário e a criação de programas de bolsa-escola para tirar crianças da rua.
A secretaria de Transportes, que virou um cavalo-de- batalha entre Garotinho e o PT, ainda não tem titular mas a ela pertence um dos motes da campanha: o barateamento das passagens intermunicipais. A área de transportes ficará subordinada a uma coordenadoria de Serviços Públicos, que englobará também saúde, educação, cultura e lazer. O programa prevê a criação da Agência Metropolitana de Transportes, que ficaria responsável pela execução da política de planejamento e controle de transporte de massa.
Na área de habitação, o governo estadual deverá implementar um programa inaugurado por Garotinho em Campos, quando prefeito: o vale-construção. As famílias inscritas poderão retirar material em lojas com o vale e, em troca, o comerciante abate o valor dos impostos estaduais. O programa prevê a formação de um Fundo para Habitação Popular, que captaria de organismo internacionais recursos para a construção de 40 mil casas populares, e a distribuição de 40 mil lotes urbanizados para a população de baixa renda. O meio ambiente também é disputado internamente pelo PT, PSB e PV.
Garotinho ainda não definiu o nome do secretário, nem a que coordenadoria ficará vinculada essa área, se a de Infra-Estrutura, com Obras, ou se a de Desenvolvimento Econômico, que deverá ter como titular o pedetista Tito Ryff. O governo promete terminar o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara - que teve o cronograma atrasado ainda no governo Leonel Brizola - e planeja suspender de vez o processo de privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), atualmente parado por uma medida judicial.

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