Rio lidera denúncias de exploração sexual infanto-juvenil no País; secretário anuncia campanha
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2000
Por Felipe Werneck 
Rio, 24 (AE) - O Rio de Janeiro é o Estado com o maior número de denúncias de exploração sexual infanto-juvenil no País
de acordo com levantamento do Ministério da Justiça, realizado mensalmente desde 1997, em parceria com a Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia). Até hoje, foram registrados 284 casos no Rio. São Paulo é o segundo Estado em número de denúncias, com 272 registros, seguido pela Bahia (110), Distrito Federal (83), Minas Gerais (77), Pernambuco (69), Ceará (65), Rio Grande do Sul (48), Paraná (45) e Rio Grande do Norte (41).
O trabalho da Secretaria Nacional de Direitos Humanos e da organização não-governamental (ONG) baseia-se em denúncias feitas por meio do Sistema Nacional de Combate à Exploração Sexual Infanto-Juvenil. Além de catalogar os dados obtidos, a Abrapia repassa as denúncias para as entidades responsáveis e acompanha as investigações nos dez Estados. De acordo com o psicólogo Silvio Valente, coordenador do programa, pelo menos 456 denúncias do total de 1.275 recebidas pela entidade estão sendo apuradas por autoridades policiais.
A partir das informações recebidas pela entidade, constatou-se que em 13,5% dos casos havia vínculo familiar ou afetivo entre a vítima e o aliciador. Casos - "Não tenho dúvida de que a prostituição infantil está aumentando no Rio", admitiu hoje o secretário de Estado da Criança e do Adolescente, Fernando William. "O número de meninas e meninos nessa situação é muito superior à previsão inicial que tínhamos ao assumir a secretaria, de cerca de 200 casos". Segundo William, hoje esse número "chega perto da casa do milhar".
"A prostituição está perdendo o perfil do jovem necessitado, envolvendo também segmentos das classes média e alta, muitas vezes com interesse de satisfazer necessidades de consumo", afirma o secretário. De acordo com ele, o problema social e econômico influencia, mas já não é preponderante. "Há uma crise de valores na sociedade: todos sabem o preço de tudo, mas não sabem o valor de nada", diz.
O coordenador da Abrapia discorda dessa interpretação: "Não há um estudo que comprove isso, e nos retornos que recebemos da polícia, geralmente não há dados para dizer se uma jovem é de classe média ou baixa", afirma. "Acho perigoso dissociar essa questão da má distribuição de renda e da desigualdade social do País, e acredito que a grande maioria entra na prostituição por problemas culturais, sócio-econômicos e familiares".
Campanha - Hoje, durante o lançamento da campanha "Xô, Lobo Bobo!", de combate à prostituição infantil, o secretário anunciou que o Disque Denúncia (21-253-1177) vai funcionar no Estado também para receber denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes. No domingo, haverá uma caminhada na Praia de Copacabana para promover a campanha.
Atualmente, o Estado atende 50 meninas que se prostituiam, que recebem auxílio-alimentação e frequentam oficinas profissionalizantes. "O cidadão deve se envolver, ser um agente de confrontação, e denunciar os casos de exploração sexual, porque além da dificuldade para chegar aos aliciadores, outro problema é que a legislação é muito branda nessa questão"
diz o secretário.


