Rio lança parceria para alfabetizar adultos
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domingo, 04 de julho de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 05 (AE) - O governo do Estado do Rio pretende alfabetizar 560 mil adultos até o fim do atual governo - sendo 30 mil até dezembro -, segundo o secretário da Educação, Hésio Cordeiro, através de uma parceria para alfabetização de adultos. O projeto , denominado Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (Mova), é uma parceria entre o Estado, municípios e organizações sociais. O lançamento foi feito hoje pelo governador Anthony Garotinho (PDT). Segundo dados do governo fluminense, o Estado tem 800 mil analfabetos.
Pela proposta, o governo estadual deve repassar o salário (uma bolsa-educação no valor de R$ 200,00) a 500 "educadores populares" envolvidos no projeto, que serão escolhidos nas comunidades. As aulas serão ministradas em espaços cedidos por associações de moradores, igrejas, sindicatos e escolas municipais. Em agosto, 25 orientadores começarão a treinar os professores. Será utilizado o método criado pelo educador Paulo Freire, já implantado em outros cidade, incluindo a capital paulista.
O trabalho de alfabetização será feito por meio de núcleos regionais. Hésio Cordeiro pretende implantar mil desses núcleos, de 30 alunos cada, até o fim do ano. "Precisamos promover o resgate da cidadania dos 800 mil analfabetos existentes no Estado, que são vítimas de um processo de exclusão social, econômica e política", afirmou o secretário. Cordeiro classificou de "ambiciosa, mas factível" a intenção do governador Garotinho de alfabetizar 70% desses adultos até o fim de seu mandato.
"É uma vergonha o Rio de Janeiro, que já foi a capital do País, ter esse número de analfabetos, fora aqueles que estamos formando em nossas escolas sem professores", afirmou Garotinho. "Sem uma boa educação, vamos ter um sub-povo, uma sub-raça, uma sub-nação". Professores - Garotinho também anunciou hoje a contratação de 4.200 professores concursados e afirmou que vai convocar outros 1.681 bolsistas, número que, segundo o próprio governador, não será suficiente para suprir a carência da rede estadual de ensino, "abandonada pelo governo anterior". "Essa medida vai beneficiar os 120 mil alunos que estão sem aulas por falta de professores", afirmou.
Ele destacou a "importância" do Sistema Integrado de Educação Básica (Sieb), que tem permitido a absorção de alunos pelas redes estadual e municipal, apesar da perda, pelo Estado, de R$ 480 milhões provocada pela implementação do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). "Nosso projeto prioritário é colocar todas as crianças na escola, mas, para isso, não podemos ter nenhuma sala de aula sem professor; esse é o nosso compromisso".


