O primeiro dia de julgamento, no Rio de Janeiro, de 54 acusados que teriam se beneficiado de ‘‘propinas’’ de banqueiros do jogo do bicho foi marcado pela ausência de três réus. O detetive Milton da Costa e os contraventores Emil Pinheiro e Fernando de Miranda Ignácio alegaram problemas de saúde para não participar do julgamento, que começou ontem no Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio. A previsão é de que o julgamento deverá durar pelo menos 15 dias.
O julgamento começou com meia hora de atraso - estava marcado para às 9 horas - mas foi aberto pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Thiago Ribas, às 9h30. Ele iniciou a sessão estabelecendo que os advogados dos acusados teriam apenas trinta minutos para apresentar a defesa dos seus clientes. A decisão desagradou alguns dos advogados.
Apesar da solicitação dos advogados para que o tempo se estendesse de 30 minutos para uma hora, Thiago Ribas indeferiu o pedido. Dois dos 25 desembargadores que formam o Órgão Especial do Tribunal de Justiça, Décio Góes e Gama Malcher, se manifestaram em apoio à decisão do presidente da Casa.
Já a justificativa - problemas de saúde - apresentada pela defesa do detetive Milton da Costa e dos bicheiros Emil Pinheiro e Fernando Miranda Ignácio foi deferida por Thiago Ribas. Os advogados levaram atestados médicos que foram anexados ao processo.
Após a determinação do tempo de defesa dos advogados, o desembargador Raul Quental, relator do processo, começou a leitura do Relatório de 293 laudas, que tem as alegações finais da acusação e da defesa. Até o começo da noite, a leitura não havia terminado. Hoje, o Ministério Público, representado pelo procurador-geral de Justiça, Hamilton Carvalhido, deve abrir a sessão sustentando a acusão contra os 54 réus.
Segundo advogados e réus, a acusação do MP é insuficiente para condenar os 54 acusados. ‘‘Uma lista com nomes e valores recebidos são provas muito fracas para sustentar a condenação dos acusados’’, disse o advogado Sebastião Rolim. ‘‘A Justiça será feita e mostrará que o MP está errado’’, afirmou o candidato a deputado estadual Paulo Souto (PFL), um dos 54 acusados.
Os réus, entre eles um promotor, dois advogados, 47 policiais civis, a maioria delegados, respondem pelo crime de corrupção passiva. Já os bicheiros José Escafura, o Piruinha, Luiz Pacheco Drumond, o Luizinho, Emil Pinheiro, Carlos Teixeira Martins, o Carlinho Maracanã, são acusados de corrupção ativa. Se forem condenados, os acusados podem pegar de um a oito anos de prisão.
Tráfico A ligação de uma quadrilha de policiais do Rio e de São Paulo com uma rede internacional de tráfico de drogas está sendo investigada pela Polícia Federal. No sábado, o detetive Vítor Alexandre Albano, da Polícia Civil, foi preso no Rio, acusado de participar da quadrilha. O nome do policial consta de um dos depoimentos do marítimo e ex-traficante Carlos Antônio Ruff, 43 anos, assassinado no mês passado depois de denunciar um esquema de tráfico e extorsão envolvendo 33 policiais civis e agentes federais. Ruff fez a denúncia ao Ministério Público Federal em troca de segurança. Mas foi morto com quatro tiros na cabeça à queima-roupa, na noite de 31 de agosto - 18 dias depois do primeiro pedido de proteção.

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