A polícia do Rio começou a desmontar uma quadrilha formada por advogados, agentes funerários e funcionários do Instituto Médico Legal (IML) que frauda o seguro por acidentes de trânsito. A família do advogado Antônio Carlos Ferreira de Lima, de 35 anos, vítima da quadrilha, prestou depoimento ontem à polícia. Rejane e Eduardo, irmãos do advogado, disseram que vão processar o Estado por negligência. Eles querem indenização porque o advogado foi enterrado como indigente depois de ter sido atropelado e morrer no Hospital do Andaraí, no início do mês, embora a família tenha registrado o seu desaparecimento.
A quadrilha agiu rápido. Uma mulher que se identificou como Claudia Emília Reis de Oliveira foi ao IML com uma carteira de trabalho falsa em nome de Sergio Almeida da Cruz, que ela disse ser seu marido. Com o documento falsificado, Claudia conseguiu a liberação do corpo do advogado, enterrado como Sergio. A operação rendeu R$ 5 mil do seguro de trânsito.
A polícia informou que já existem cerca de 30 inquéritos sobre o mesmo assunto. Diante da gravidade do caso, Pedro Paulo de Abreu foi substituído na direção do IML por Laura Liane de Oliveira. A titular do Serviço de Descobertas de Paradeiros da Delegacia de Homicídios, delegada Luciana Benjor, tomou o depoimento de uma papiloscopista do IML, acusada de envolvimento na fraude. Segundo a delegada, a mulher negou qualquer ligação com a quadrilha, mas caiu em várias contradições.
A assessoria de imprensa da Federação Nacional das Seguradoras (Fenaseg) informou que a entidade contratou o Cadastro Nacional de Informática e Serviços (CNIS) há cerca de cinco anos para combater as fraudes em todo o País. O presidente da Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), Paulo Passarinho, disse ontem que os advogados envolvidos na fraude serão processados.

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