Rio, 19 (AE) - A Secretaria Estadual da Saúde do Rio está investigando, a pedido do Ministério da Saúde, a morte fulminante por hemorragia generalizada de dois rapazes de 22 anos, um no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e outro na zona norte do Rio, em maio. Rogério Lima Oliveira e Leonardo Jorge Coelho Duarte sentiram dor de garganta, tiveram crises de vômito e diarréia, insuficiência hepática e horas depois morreram com hemorragia múltipla.
Além dos sintomas semelhantes, os dois eram parentes de funcionários do setor de Recursos Humanos da rede de lojas Casa & Vídeo. Assustado com a coincidência, o vice-presidente da empresa, Márcio Caio, relatou os casos para o Centro de Controle de Doenças (CDC), em Atlanta (EUA), que comunicou o caso ao Ministério da Saúde. "Não há histórico epidemiológico que leve a suspeitar de algum vírus devastador, mas estamos investigando todas as hipóteses, até hantavírus", afirmou o coordenador de Epidemiologia da secretaria, Vítor Berbara. Ele anunciou que vai solicitar amostra do sangue dos rapazes para novos exames. Dor - O gerente de loja Rogério Oliveira, morador de Duque de Caxias, procurou atendimento médico no início de maio, queixando-se de dor de garganta. "Ele parou com o antibiótico por achar que estava causando gastrite", disse a cunhada de Oliveira, a enfermeira Kátia Peçanha, ex-funcionária da Casa & Vídeo. No dia 5 de maio, o gerente foi internado no Hospital Mário Lione, com pressão baixa. "Parecia um quadro de amidalite que evoluiu de forma dramática", afirmou o diretor do hospital, Charles Al Odeh.
Oliveira teve hemorragia pulmonar e digestiva. Ele passou por várias transfusões de sangue e morreu às 13h45 do dia 8 de maio. A princípio sua morte foi atribuída a septicemia, infecção generalizada. "Não conseguiam localizar o foco da infecção", explicou Kátia. O rapaz chegou a ser submetido a diversos exames em laboratório particular para detectar dengue hemorrágica, leptospirose, sífilis, hantavírus, todos negativos. "Foi um caso atípico", afirmou Odeh, que enviou amostras do sangue para o Hospital Emílio Ribas, em São Paulo.
Quinze dias depois, o professor de teatro Leonardo Jorge Coelho Duarte passou a madrugada com crises de vômito e diarréia
depois de ter-se queixado de dor de garganta. Morador do Méier, ele foi levado ao Hospital Municipal Salgado Filho. Doze horas mais tarde, os médicos diagnosticaram morte cerebral. "Ele teve hemorragia múltipla, que atingiu pulmão, meninges, mucosas e cérebro", disse o diretor do hospital, Flávio Adolpho Silveira. Duarte morreu no dia 26 de maio. "Ele era um caso de HIV positivo com septicemia", garantiu a coordenadora de Epidemiologia do município, Meri Baran, apesar de o resultado da hemocultura ter sido negativo, o que normalmente excluiria infecção generalizada. "Ele devia estar fazendo uso de antibióticos que podem ter alterado o resultado do exame".
Duarte era irmão de Maria Oliveira, também funcionária da Casa & Vídeo, e morava com amigos numa casa de vila, onde era descrito como um rapaz saudável. Amostras de sangue do professor foram analisadas pelo Centro de Pesquisa Hospital Evandro Chagas (CPqHC), da Fundação Oswaldo Cruz. Os resultados para dengue hemorrágica e leptospirose foram negativos. "Não tínhamos dados clínicos para realizar teste para hantavírus", afirmou a diretora do CPqHC, Keyla Marzochi. No entanto, a vice-diretora do Instituto Oswaldo Cruz, também da Fiocruz, Martha Maria Pereira, nega que seja possível excluir hantavírus de leptospirose pelas condições clinícas do paciente. "As características se confudem e é necessário o resultado laboratorial para fechar o diagnóstico". O Instituto Médico Legal recusou fazer a autópsia, alegando que a morte não foi motivada por crime ou acidente.
A preocupação do vice-presidente da Casa & Vídeo foi provocada pelas mortes por hemorragia generalizada, sem diagnóstico, como as que ocorreram nos últimos meses em Santos, Rio Grande do Norte e Pernambuco. Em Santos, uma das vítimas, Aparecida Maia, de 33 anos, morreu em 15 de abril, após dar entrada no hospital com icterícia, seguida de febre e hemorragia. O laudo dos exames em amostras de tecidos após a morte da paciente foram enviados ao Instituto de Patologia das Forças Armadas, em Washington (EUA). O resultado apontou "etiologia indeterminada".

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