Rio, 21 (AE) -Apesar de o carnaval ser a festa mais famosa do Rio, é no réveillon que a indústria hoteleira e os profissionais ligados ao turismo e ao lazer têm um faturamento maior. A expectativa de um bom faturamento é geral, dos hotéis de cinco estrelas aos vendedores ambulantes da praia. Todos já fizeram suas reservas e encomendas para a noite de 31 de dezembro.
No Copacabana Palace resta só um quarto standard livre no pacote relativo à data, que custa R$ 7.717,50 por sete dias. No quiosque Rainbow, que fica em frente, o funcionário Marcos Borges conta que já comprou 50 caixas de cerveja para a noite do réveillon, 150% a mais que a média de um domingo de sol.
Para a indústria hoteleira, o réveillon vai fechar um ano excepcionalmente bom para o setor, que investiu cerca de R$ 200 milhões em melhorias a partir de 1997. Segundo o vice-presidente da seção fluminense da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH), Francisco Grabowski, a capacidade da rede hoteleira não aumentou, mas a qualidade dos serviços, sim.
O Rio dispõe de 25 mil leitos de hotel, um quarto deles situados nos bairros de Copacabana e Leme, onde acontece a maior festa do réveillon. A ABIH está investindo na festa de réveillon em Copacabana, em parceria com a TV Globo. A festa toda, incluindo os shows, ficará em cerca de R$ 6 milhões. Dessa quantia, R$ 650 mil serão gastos na queima de fogos, R$ 350 mil pagos pelos hotéis.
Se o faturamento dos hotéis é excelente na passagem do ano, muito se deve à presença dos paulistas. Segundo dados da ABIH, metade dos turistas que vêm ao Rio nesta data são de São Paulo, capital ou interior. Mas eles não chegam de uma vez só. A invasão começa no início de dezembro e cresce até chegar a 100% de ocupação na última semana do ano.
Empregos - O número de empregos de hotelaria cresce em cerca de 10% nesta época para garantir o atendimento aos hóspedes. O Rio tem cerca de 20 mil empregos fixos nesta área e, até o último verão, contratava mais 2 mil pessoas na alta temporada. Como 1999 foi um ano excepcional, no qual a taxa média de ocupação ficou em cerca de 70%, o número de vagas fixas também cresceu. "Podemos dizer que houve, este ano, um aumento efetivo de mil postos", diz Grabowski.
O crescimento foi impulsionado especialmente pelo turismo de eventos (congressos e negócios como as privatizações). "O problema é que falta mão-de-obra especializada e os hotéis preferem formar seus próprios funcionários, especialmente as grandes redes", informa.
Formação - O diretor de Recursos Humanos do Meridién, Carlos Anastácio, confirma. O hotel financia cursos de línguas para seus 496 funcionários e dá cursos de aperfeiçoamento para que eles possam fazer carreira. E os salários na área são compensadores. Num hotel de quatro ou cinco estrelas, o salário de um profissional com primeiro grau fica em torno de R$ 400 00.
Os funcionários de nível técnico (geralmente falando um ou dois idiomas estrangeiros) podem ganhar até R$ 1.200,00 e os de nível superior ganham a partir de R$ 4 mil. "Um gerente de bebidas e alimentos, um cargo de segundo escalão num hotel, logo abaixo da diretoria, mas que exige formação superior em hotelaria, pode ganhar até R$ 6 mil", conta Anastácio.
Até o início de 99, só o Serviço Nacional do Comércio (Senac) oferecia cursos em nível médio de hotelaria. De janeiro a setembro, os cursos de cozinheiro, garçom e camareira recebera 1.669 alunos. Os dois primeiros foram os mais procurados.
Secretaria Estadual de Trabalho também está atenta a esta demanda. Ela começou a oferecer cursos para esta área depois que as Comissões Municipais de Emprego identificaram a carência de profissionais no setor. Segundo dados da Secretaria, só este ano foram investidos R$ 762 mil em 17 especializações, que vão de camareira a administrador de estabelecimentos de lazer. Os cursos tiveram, em todo Estado, 5.827 alunos, um terço dos quais na região metropolitana do Rio de Janeiro.
"Nosso alvo principal é o desempregado que precisa de uma nova formação para aumentar sua empregabilidade, mas damos também cursos de aperfeiçoamento para os que estão trabalhando"
diz o secretário Estadual de Trabalho, Gilberto Palmares. Ele conta que, em muitos casos, é necessário complementar a escolaridade do candidato ao emprego, pois os hotéis estão exigindo no mínimo nível de primeiro grau para cargos de camareira ou auxiliar de faxina.
Praia - Para quem trabalha com o lazer de praia, a temporada de verão é a única época em que o investimento dá lucro e o réveillon é o dia em que o faturamento dobra ou triplica."Neste negócio nós pagamos as despesas durante nove meses do ano e compensamos todo o investimento no verão", comenta o quiosqueiro Luiz Carlos Carneiro das Chagas, que trabalha em frente à Praça do Lido, em Copacabana.
Ele conta que, num domingo de verão, trabalha com um ajudante e vende cerca de 20 caixas de latas de cerveja (a R$ 1 50) e 250 cocos (a R$ 1,00). Na noite do réveillon são vendidas 40 caixas de cerveja, mil cocos (cujo preço sobe para R$ 1,50) e são necessárias cinco pessoas para dar conta do atendimento.

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