São Paulo, 11 (AE) - O Rio Grande do Sul pode enfrentar desabastecimento de carne bovina nas próximas semanas. Isto porque, com a desvalorização do real, tornou-se inviável a importação de carne da Argentina e do Uruguai, tradicionais fornecedores de carne bovina do Rio Grande do Sul. Segundo Alcides Torres, da Scot Consultoria, a arroba do boi na Argentina está cotada a US$ 24,60 e no Uruguai a US$ 24, enquanto no Brasil o preço da arroba gira em torno de US$ 17. "O Rio Grande do Sul pode enfrentar um desbastecimento de carne devido a vários problemas que está enfrentando", disse Torres.
José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria, explica que, para complicar, um veranico inesperado acabou prejudicando a engorda do boi gaúcho, contribuindo para a situação atual daquele Estado. Como resultado, nesta semana, o preço do quilo do boi subiu 12,1%, atingindo R$ 1,15. Segundo Ferraz, a situação gaúcha se complica porque, como área livre de aftosa, o Rio Grande do Sul não pode receber gado em pé nem carne com osso do resto do país, com exceção de Santa Catarina, que não possui um rebanho bovino expressivo. A situação de RS é peculiar e diferente da do restante do País, onde a falta de boi deve-se a um represamento por parte dos pecuaristas e não a uma falta de rebanho disponível.
No mercado físico paulista, os preços estão estabilizados, mas um pouco sustentados pela redução da oferta. Segundo Torres, da Scot Consultoria, apenas os frigoríficos que estão mais desabastecidos realizaram compras e por isso tiveram que pagar R$ 31,5 pela arroba. Mas a maioria dos frigoríficos possui escalas de abate prontas até a semana que vem e continua oferecendo R$ 31 e por este preço os pecuaristas não estão vendendo.
Ferraz, da FNP Consultoria, acredita que os preços não possuem mais tanto espaço para subir e, com os períodos de Carnaval e da Quaresma pela frente, a expectativa é de que as vendas no varejo continuem fracas, pressionando também o atacado. O preço do traseiro/dianteiro se estabilizou a R$ 2 50/R$ 1,50 e desta patamar apenas deverá sair com uma recuperação das vendas, o que não deverá ocorrer em fevereiro. Por outro lado, segundo Torres, da Scot Consultoria, se os pecuaristas continuarem segurando suas ofertas, o atacado poderá receber um impulso não do consumo mas da falta de carne para abater.

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