Rio- Apesar de a prefeitura do Rio não admitir, a cidade está sob uma epidemia de dengue, a qual, de acordo com classificação do Ministério da Saúde, se configura quando as taxas de incidência são superiores a 300 casos por 100 mil habitantes. De janeiro a 19 de março deste ano, a capital fluminense registrou 20.269 casos, ou 340 para 100 mil habitantes.
  Nos bairros em que a situação é mais crítica, a incidência chega a ser 20 vezes maior do que o mínimo necessário para caracterizar epidemia. Em Curicica, zona oeste, já são 6.968 casos por 100 mil habitantes.
  O prefeito do Rio, Cesar Maia, em entrevista por e-mail, afirmou que os casos estão declinando. Mas o diretor-geral do hospital estadual Getúlio Vargas, Marcelo Soares, afirma que a epidemia deve aumentar com as chuvas. O hospital tem o maior número de leitos reservados para pacientes com dengue e, segundo o médico, cerca de 80% das pessoas chegam à unidade com suspeita da doença.
  O número oficial de casos no Rio pode ser 30 vezes maior do que o anunciado pelos órgãos de saúde, alerta o infectologista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Edmilson Migovski. Segundo ele, apenas um em cada dez casos é notificado pelos médicos nas emergências dos hospitais. Além disso, nem todos as pessoas infectadas apresentam os sintomas da doença. ‘‘O que nós vivemos no Rio de Janeiro é uma catástrofe. Um médico de emergência que precisa atender 40 ou 50 pacientes em uma manhã não consegue parar para notificar todos os casos. Ou ele atende, ou ele notifica’’, disse Migowski.

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