Rio, 05 (AE) - A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) do Rio confirmou hoje o registro de 1.951 casos de catapora na cidade, com três mortes, até setembro. O número de casos é menor que o contabilizado no mesmo período do ano passado - 2.149 - mas o suficiente para a coordenadora de Epidemiologia da SMS, Meri Baran, acreditar que o município passa por mais uma epidemia da doença. "A temperatura no fim do inverno e começo da primavera é propicia para epidemias dessa doença", afirmou Meri Baran.
Como a catapora (nome popular para varicela) não é doença de notificação compulsória, a coordenadora acredita que devam existir outros casos ainda não comunicados à secretaria. A SMS se baseia nas notificações espontâneas de médicos para monitorar a doença. A catapora - do tupi tatapor (fogo que salta) - é uma doença infantil considerada benigna, mas incômoda por causa das coceiras provocadas por erupções na pele. "Os casos fatais ocorrem quando a vítima tem baixa imunidade e já sofre de outra doença, como aids ou leucemia", explica a epidemiologista.
Os médicos indicam a vacina contra varicela, que não é distribuída nos postos de saúde. "Há planos de, num futuro próximo, encomendar essa vacina, que é nova e cara", afirmou Meri. Nas clínicas particulares a vacina pode ser encontrada por R$ 60. Hepatite - Além da catapora, as crianças do município do Rio podem ter de enfrentar um surto de hepatite tipo A. Hoje, pesquisadores da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) coletaram sangue de 550 pessoas - 400 delas crianças - no Educandário Romão de Mattos Duarte, no Flamengo, na zona sul. Desde junho, dez pessoas - três funcionários, uma noviça e seis alunos e internos - tiveram a doença. "Entre as crianças até cinco anos, 90% dos casos são assintomáticos", alerta a pesquisadora da Fiocruz Ana Maria Coimbra Gaspar.
O educandário, mantido pela Santa Casa de Misericórdia, abriga cem órfãos e oferece estudo gratuito para 200 semi-internos, com idades entre três meses e 18 anos. O objetivo dos pesquisadores da Fiocruz é identificar quem teve o vírus da hepatite e não desenvolveu a doença e vacinar os que estão saudáveis. "Em junho tivemos 18 casos numa escola na zona norte e as vacinas foram doadas", contou Ana Maria. Os sintomas da hepatite A são febre, mal estar, vômito, pele amarelada e urina escura.

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