Rio e SP fizeram três abortos desde liberação
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terça-feira, 13 de julho de 2004
Agência Folha 
Rio, RJ - Três abortos de fetos com anencefalia (sem cérebro) foram realizados em São Paulo e no Rio desde 1º de julho, quando o ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal, autorizou, em liminar, a realização desse tipo de procedimento.
Dois desses casos foram em São Paulo. Uma terceira interrupção da gravidez por anencefalia foi feita na capital paulista nesse período, mas valendo-se de autorização judicial obtida antes.
O procedimento realizado no Rio aconteceu no último domingo. A mãe tem 24 anos, uma filha saudável de cinco anos e estava há cinco meses grávida de gêmeos. ''É bastante raro um caso de gêmeos anencefálicos'', diz a antropóloga Debora Diniz, diretora do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (Anis), ONG que deu assessoria técnica à ação que teve ganho de causa no Supremo.
Um bebê anencefálico sobrevive, no máximo, sete dias depois de nascer, e metade dos bebês que têm a enfermidade morre no útero da mãe. Segundo a Sociedade Brasileira de Genética Clínica, para cada mil gestações no Brasil, uma é de feto com anencefalia.
O parto foi realizado entre as 10h10 e 10h40 de domingo, num hospital de Teresópolis, região serrana do Estado do Rio. Na segunda-feira, a mãe foi para casa. Ela não quer falar com a imprensa nem ter seu nome divulgado. Seu marido falou com a reportagem e também não quis dar entrevista.
Nas últimas semanas, a gestante foi apoiada pela Igreja Ceifa de Teresópolis, igreja evangélica da qual é fiel. Uma líder religiosa que acompanhou de perto o caso disse que o silêncio de todos à volta tem como objetivo preservar o casal. Os dois sofreram muitas pressões de grupos católicos para manter a gravidez.


