Rio discute programa para reintegrar doentes mentais
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segunda-feira, 01 de outubro de 2001
Felipe Werneck<br> Agência Estado<br> Do Rio 
Estado com o maior número de atendimento psiquiátrico do País - no ano passado foram 86 mil consultas -, o Rio de Janeiro discute um programa de reintegração de pacientes. Ele prevê o pagamento de auxílio de dois salários mínimos às famílias que reintegrarem parentes internados com alta médica há pelo menos três anos.
''Com programas como este, começamos a desmistificar a imagem do doente mental. As novas alternativas de integração dos pacientes à sociedade reduziram em 80% das internações na cidade. De 1995 até agora, já conseguimos fechar 1.500 leitos psiquiátricos, e esperamos extinguir mais 1.200 no próximo ano'', disse o coordenador de Saúde Mental da Secretaria Municipal da Saúde do Rio, Hugo Fagundes. Atualmente, o município tem 3.120 leitos em dez clínicas psiquiátricas.
Redução - O plano de redução progressiva dos leitos de longa permanência para doentes mentais no município foi discutido na sexta-feira (28), durante a 1.ª Conferência de Saúde Mental, no Complexo Juliano Moreira. Durante o encontro, foi apresentado o programa de incentivo à desospitalização. O projeto de lei que prevê o pagamento do auxílio, proposto pelo Executivo municipal, ainda aguarda votação na Câmara.
''Este projeto, uma novidade no Brasil, foi a forma encontrada para transformar um modelo arcaico numa nova lógica de tratamento'', diz Fagundes. Segundo ele, um estudo feito em 1995 mostrou que pelo menos metade dos 3.330 pacientes internados em unidades psiquiátricas dos SUS não tinham razão clínica para estar internados.
Além da ajuda de dois salários mínimos (R$360,00) para as famílias que reintegrarem parentes internados à vida social, está previsto o pagamento de um salário mínimo às famílias que levarem os internos para as unidades de Moradia Assistida. Os pacientes reintegrados continuarão a ser atendidos nos Centros de Atenção Psicossociais (CAPs) e no Programa de Moradia Assistida. Ao todo, são oito CAPs na cidade, dois deles infanto-juvenis. Lá, os pacientes recebem acompanhamento médico e psicológico, além de participar de oficinas de artes e música.
O Programa de Moradias prevê a integração dos doentes mentais à sociedade. Atualmente, 129 pacientes são atendidos no Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira, no Engenho de Dentro. No Instituto Philippe Pinel, em Botafogo, nove usuários usufruem do serviço de residência assistida.


