Rigotto diz que governo não quer votação da reforma tributária
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domingo, 16 de abril de 2000
Por Nelson Breve 
Brasília, 17 (AE) - O deputado Germano Rigotto (PMDB-RS), presidente da comissão especial da Câmara que aprovou o substitutivo da reforma tributária de autoria do deputado Mussa Demes (PFL-PI), afirmou há pouco que o governo está tentando ganhar tempo para impedir a votação da reforma no plenário neste semestre. Na opinião dele, o silêncio do governo em relação à reforma tributária é uma demonstração de que não há interesse do Executivo na aprovação da proposta de emenda constitucional discutida na comissão.
Rigotto avalia que nas próximas duas semanas o assunto não será discutido em razão da prioridade que será dada às negociações da medida provisória do salário mínimo. Ele prevê que, depois disso, o governo despenderá mais duas semanas em reuniões com os líderes para tentar convencê-los de que a cumulatividade das atuais contribuições que financiam a seguridade social, como PIS e Cofins, deve ser mantida.
"O governo vai tentar ganhar tempo até o final de maio, quando entraremos no período pré-eleitoral e não haverá condições de votar uma emenda constitucional", afirmou Rigotto. "O governo mais uma vez demonstra má vontade com a reforma tributária; infelizmente essa é a verdade", acrescentou, considerando natural uma discordância do governo federal em relação à proposta negociada pela comissão com os secretários estaduais de Fazenda, mas sustentando que a melhor maneira de expressar tal divergência é apresentando argumentos em um debate aberto. "O que é condenável é o governo se omitir ou torcer para que a reforma não avance", criticou o presidente da comissão da reforma tributária.


