Rio, 22 (AE) - O presidente da Comissão Especial da Reforma Tributária, deputado Germano Rigotto (PMDB-RS), disse hoje que o presidente Fernando Henrique Cardoso fala "bobagem" ao afirmar que o Congresso Nacional está parado por causa das brigas entre os aliados governistas. "Está dizendo bobagem quem diz isso", afirmou. "Não me interessa se é o presidente, o ministro ou quem quer que seja."
Irritado, o deputado disse que as CPIs dos Bancos e do Judiciário estão funcionando normalmente, como as demais comissões da Casa. "Eu quero deixar claro o seguinte: não tem comissão na Câmara que trabalhou tanto em tão pouco tempo como a da reforma tributária", ressaltou. "Briga com um e outro, discussão com esse e aquele, não tem impedido o andamento da reforma." Segundo Rigotto, em 80 dias, ele realizou 25 reuniões na comissão, viajou para oito Estados, onde conversou sobre o tema com governadores, secretários de Fazenda e entidades empresariais.
Amanhã (23), o deputado se encontra com o presidente da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, para discutir a viabilidade do imposto verde.
A reação do presidente da Comissão da Reforma Tributária referiu-se às declarações do ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, de que o presidente Fernando Henrique estaria insatisfeito com a falta de votações no Congresso na últimas semanas. O líder do governo no Congresso, Arthur Virgílio Netto (PSDB-AM), minimizou as declarações de Rigotto. "A pressa do presidente e do ministro Pimenta da Veiga é por princípio e a do deputado Germano Rigotto, patriótica, mas, todos nós, no geral, estamos imbuídos de que a reforma sai até o fim do ano", afirmou. "Se isso não acontecer, é provável que ela se arraste no Congresso por mais três anos."
Rigotto acredita que até agosto o texto da reforma já tenha sido aprovado na comissão e, até dezembro, no Congresso. "Nosso objetivo, é que a reforma já entre em vigor no ano que vem."
O deputado peemedebista também se mostrou contrário a compensações fiscais para o ajuste fiscal planejado pelo governo federal. "Não há mais espaço para remendo fiscal, já chegamos ao nosso limite", afirmou. Segundo ele, o aumento de carga sobre os contribuintes vai significar perda para os governos federal, estaduais e municipais, porque aumentará ainda mais a evasão fiscal, a sonegação e a informalização da economia. Rigotto e Virgílio estiveram hoje de manhã no Rio, onde participaram do encerramento do seminário "Desafios do Pacto Federativo no Brasil", na Assembléia Legislativa do Rio.

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