Rio, 18 (AE) - A embaixadora da Organização das Nações Unidas (ONU) para a defesa dos povos indígenas, Rigoberta Menchú, Prêmio Nobel da Paz de 1992, afirmou hoje (18), no Rio, que a ONU "fracassou" em relação à crise no Kosovo. Segundo ela, a entidade precisa voltar a exercer um papel importante na solução dos conflitos internacionais.
"Quem garante que a opção tomada em Kosovo pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) não será exercida em outros lugares onde há conflito, como Turquia, Tibete, Chiapas e países da áfrica", declarou.
Rigoberta defendeu a criação de um "novo código de ética para a paz".
Segundo ela, a ONU precisa tornar-se capaz de buscar uma solução política para os conflitos. "O uso de armas de guerra não pode ser uma atitude deliberada dos países, deve haver um controle externo", afirmou a líder indígena guatemalteca. "Somente com o reforço da idéia do diálogo, da mediação será possível combater a intolerância, porque não existem guerras justas, e sim causas justas."
Rigoberta disse que pretende ir a Kosovo. "Minha presença pode não modificar o rumo da guerra, mas vou para transmitir força espiritual e colher um testemunho." Segundo ela, o tenor Luciano Pavarotti vai realizar um concerto beneficente na Itália
a favor das crianças de Kosovo e da Guatemala, no dia 1º de junho.
Rigoberta, que esteve no Rio para participar da 7ª Conferência Internacional de Mulheres - evento organizado pela Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres (CIOSL) -, não quis comentar a acusação do antropólogo norte-americano David Stoll, em livro lançado no fim do ano passado, de que sua autobiografia Eu, Rigoberta Menchú contém relatos falsificados ou exagerados. Em seu discurso, a guatemalteca defendeu a sindicalização das mulheres como forma de evitar os "efeitos perversos" da globalização.

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