Rio, 17 (AE) - O secretrário-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), embaixador Rubens Ricúpero, pretende criar junto ao governo brasileiro um trabalho de cooperação institucionalizada com a UNCTAD para reforçar o comércio exterior do País. Segundo o embaixador o Brasil precisa diversificar sua pauta de produtos exportáveis, buscando concentrar-se mais naqueles produtos que têm uma dinâmica maior de demanda.
"Um dos nossos problemas era a sobrevalorização da moeda o outro é a exportação de produtos com baixa dinâmica", avalia. Ricúpero esteve hoje no Rio, participando da abertura do segundo Seminário Internacional de Café, que acontece até amanhã (18). Uma das preocupações do embaixador é o alto grau de concentração dos investimentos externos no País em segmentos da economia que não exportam produtos. Ricúpero ressalta que mais de 60% destes investimentos estão hoje concentrados em serviços públicos, no sistema financeiro e comércio e varejo. "Estes investimentos são positivos porque permitem fechar o rombo em nossas contas mas não contribuem diretamente par gerar maiores exportações", avalia.
O embaixador estará amanhã em Brasília para um encontro com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, para apresentar a proposta da UNCTAD de iniciar os trabalhos de cooperação internacional para incremento das exportações.
Segundo o embaixador o governo brasileiro precisa criar estímulos para que as filias das multinacionais instaladas no País utilizem suas plantas para exportação. Ele lembra que filias de algumas destas companhias instaladas em outros países exportam, em média, 40% de sua produção local, enquanto no Brasil está média tem ficado em torno de 10% a 9%.
Segundo o embaixador, atualmente o País tem exportado apenas lucros e dividendos. "Há cinco anos, tínhamos uma remessa, a título de lucros e dividendos, de cerca de US$ 600 milhões por ano; hoje estamos enviando US$ 7,5 bilhões", frisou.
Para o embaixador o governo brasileiro precisa criar instrumentos e mecanismos de execução para exportações neste cenário de abertura de mercado. "Mudamos a estratégia de comércio exterior mas não criamos uma agencia executiva eficaz"
avalia.
Uma das mudanças que o embaixador pretende apresentar para o ministro Lafer será uma nova forma de destinar os recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "Precisamos adotar estratégias para que os investimentos da instituição sejam dirigidos às áreas que possam gerar novos produtos de exportação", avalia.
Para Ricúpero esta seria a melhor forma de colocar a disposição os recursos do BNDES, ao invés de financiar grupos nacionais para adquirirem empresas estatais em leilões de privatização.

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