São Paulo, 11 (AE/Dow Jones )- O embaixador Rubens Ricúpero, secretário-geral da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), não se desculpou por tentar influenciar as polêmicas negociações mundiais de comércio
mas admitiu que há um limite para o que o órgão da ONU pode fazer. A Unctad tem sido apontada por seus apoiadores como um espaço para superar algumas divisões que levaram ao fracasso da tentativa da Organização Mundial do Comércio (OMC) de lançar uma nova rodada de negociações comerciais em dezembro.
Ricúpero havia dito que a reunião de uma semana da Unctad, que começa amanhã em Bangcok, poderia contribuir para um "processo de cura" da OMC. Hoje ele admitiu que a Unctad não pode afetar diretamente o trabalho da OMC na elaboração das normas que governam o comércio internacional e que abrem os mercados mundiais. "Na análise final, são os países que têm de negociar", disse Ricúpero. "Não somos uma instituição com poder, mas temos a capacidade de gerar idéias. Ninguém deve subestimar o poder das idéias", afirmou.
Os países em desenvolvimento garantem que a OMC nem sempre considera seus problemas e que são deixados de fora de algumas das reuniões mais importantes. Os estudos da Unctad também mostram que os países pobres, em geral, se beneficiam menos das atuais regulamentações de livre comércio do que os países ricos.
Ricúpero disse que o papel da Unctad no comércio está mudando e que seu papel mais importante agora é fornecer recursos e pesquisas que permitam que os países pobres defendam suas posições na OMC. Ele disse que não está decepcionado com o fato de muitos países ricos terem enviado delegações de escalão mais baixo ao encontro da Unctad. "Somos uma organização muito mais próxima dos pobres", afirmou. "Estamos satisfeitos com esta posição, porque se pudermos dar voz aos que não têm voz, nos sentiremos honrados", acrescentou.

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