Rio, 10 (AE) - A renda média de 10% dos brasileiros mais ricos é quase 21 vezes superior a toda a renda dos 40% mais pobres. O resultado do cruzamento dos dados do IBGE com outras instituições do governo, divulgado hoje, confirmou a histórica desigualdade na distribuição de renda do País.
Os dados são de 1997 e indicam que a remuneração do trabalho dos ocupados ficou, em média, no Brasil, em torno de 4 3 salários mínimos. No Sudeste, chegou a 5,2 salários mínimos e o Nordeste ficou no outro extremo, 2,5 salários mínimos. A população economicamente ativa (PEA) do Brasil, em 1997, registrava mais de 75 milhões de pessoas.
Embora a taxa de atividade seja maior entre os homens (73,9%) do que entre as mulheres (47,2%), está aumentando expressivamente a participação feminina no mercado de trabalho. Na estrutura familiar, as mulheres estão ocupando o lugar de chefe. Segundo informou Luiz Pinto Oliveira, coordenador da pesquisa, 25% das mulheres trabalhadoras sustentam a casa.
A amostragem também confirmou a maior incidência de trabalhadores com carteira assinada nos Estados mais industrializados, especialmente no Sudeste, e a concentração de trabalhadores por conta própria no Nordeste. Apesar das disparidades, a pesquisa detectou um movimento importante: a redução da migração nordestina e até um tímido retorno dos migrantes do Sudeste, onde foram procurar trabalho, para o Nordeste, onde nasceram.
A taxa de atividade da PEA cresce com a idade, até atingir o máximo para a população adulta, entre 25 e 49 anos (78 9%), mas ainda é significativo a quantidade de crianças e adolescentes trabalhando. Na faixa entre 10 a 14 anos há 16,9% das crianças trabalhando, índice que Oliveira considerou "administrável, embora não desejável".
A maioria das crianças trabalhadoras encontra-se no Nordeste, mas também há incidência grande nos estados do Sul, consequência da tradição do trabalho familiar. Em contrapartida, a taxa de desocupação atinge com mais força os trabalhadores jovens, que estão ingressando no mercado. Entre os adolescentes entre 15 e 17 anos a taxa de desocupação ficou em 17,8% em 97.

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