Ricos anunciam US$ 47 mi no PPG-7
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quarta-feira, 29 de outubro de 1997
Ulisses Capozzoli Agência Estado 
Arquivo FolhaIbama e ONGs divergem sobre as queimadas na Floresta AmazônicaO grupo de sete países ricos vai dar US$ 47 milhões em recursos adicionais ao Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais (PPG-7) no Brasil. O anúncio foi feito no início da tarde de ontem, pelo diretor do Banco Mundial, Gobind Nankani, no penultimo dia da 4ª Reunião do PPG-7, em Manaus. A Alemanha, mais uma vez, lidera com uma contribuição de US$ 35 milhões.
Na terça-feira Nankani avaliou que poderiam ser concedidos mais US$ 30 milhões adicionais, atendendo parte da reivindicação de US$ 90 milhões feita pelo governo brasileiro. Ontem o diretor do Banco Mundial disse que a avaliação foi superada em US$ 17 milhões.
A decisão de liberar esse dinheiro adicional é resultado de uma avaliação positiva dos trabalhos que estão sendo feitos pelo Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e museu Emílio Goeldi, considerados centros de excelência em investigação científica na região. Experiências com reservas extrativistas e projetos demonstrativos - produtos não-madeireiros de pequeno porte - também estimularam a decisão.
Mata Atlântica O 4º Encontro do PPG-7 em Manaus termina hoje. A rede de Ongs da Mata Atlântica recuou ontem da decisão de se afastar do PPG-7. A mudança de posição, segundo Wilgold Schaffer, da entidade, resultou de sinais de mudança na atitude do governo. A rede se queixa de estar sendo marginalizada no recebimento de recursos fornecidos pelo PPG-7 às florestas tropicais brasileiras. Dos recursos totais, de US$ 297 milhões, 20% devem ser destinados à Mata Atlântica. Essa floresta costeira que detém apenas 8% de sua extensão original de 1.100 mil quilômetros quadrados, ainda é um dos mais ricos repositórios da biodiversidade do planeta.
Queimadas O presidente do Instituto Brasileiro dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Martins, disse ontem, que um levantamento demonstrou que 60% das queimadas na Amazônia são produzidas por grandes e médios proprietários. Os outros 40% seriam de responsabilidade de pequenos produtores. Martins disse ser necessário reformular os padrões de vida com o apoio tecnológico a essas populações, para evitar a continuidade dessa situação.
Organizações não-governamentais, como Grupo de Trabalhos Amazônicos (GTA), convocaram os jornalistas para rebater esses dados, assegurando que o percentual de queimadas dos pequenos produtores não passa de 10% do total. Martins também falou da necessidade de se agregar valores na produção madeireira, mudando o perfil desta atividade na região, mas acrescentou que se trata de um desafio de prazo mais longo, com atração de empresários com nova mentalidade.


