Londrina - Agora vai? Em segunda visita à Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, realizada ontem pela manhã, o governador Beto Richa prometeu que as obras de duplicação dos 17 quilômetros do perímetro urbano da PR-445 serão retomadas em "ritmo intenso" após o feriado da Páscoa e não sofrerão mais interrupções até o final. O Departamento de Estradas e Rodagens (DER-PR) segue mantendo o mês de outubro como prazo final para entrega das intervenções, embora nos próprios canteiros de obras alguns funcionários não se arrisquem a confirmar se terminam o serviço a tempo. Para o governo, mais de 50% das obras estão concluídas.
"Chegando aqui na Exposição, liguei para o diretor geral do DER-PR, engenheiro Nelson Leal, que me garantiu que já falou com as duas empreiteiras responsáveis pelas obras nos três lotes e [o repasse] já está equacionado. Após o feriado da Páscoa elas retomam as obras em ritmo acelerado. Na verdade, uma das empreiteiras é que deu uma desacelerada. Mas as obras serão retomadas para seguir até o final, sem nenhum prejuízo, vindo ou não o dinheiro de Brasília", disse Beto Richa, aliviado com a liminar concedida na última quinta-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF) confirmando que o Paraná tem o direito de receber o financiamento de R$ 817 milhões do Programa de Apoio ao Investimento dos Estados e Distrito Federal (Proinveste). A duplicação dos 17 quilômetros urbanos da PR-445 está orçada em R$ 95 milhões e inclui 11 viadutos e trincheiras e seis passarelas.
Conforme a FOLHA mostrou em reportagens publicadas no início do ano, as obras de duplicação da PR-445 seguiam em ritmo lento nos lotes 1 e 2 – trecho compreendido entre o Conjunto Jamile Dequech e a Avenida Harry Prochet – por causa de atrasos nos repasses de novembro e dezembro à construtora Sanches Tripoloni por parte do governo do Estado. A empreiteira não paralisou os trabalhos, mas chegou a reduzir em um sexto o número de funcionários nesses lotes.
A reportagem retornou aos canteiros de obras da rodovia na tarde de ontem para acompanhar o andamento dos trabalhos. No trecho entre os viadutos do Jamile Dequech e da Avenida Dez de Dezembro não havia funcionários trabalhando. O superintende regional do DER-PR, José Ferreira Heidegger, afirmou que, como os viadutos estão prontos, o que resta a fazer nos dois pontos é a concretagem dos encontros.
No trecho que passa próximo ao Jardim União da Vitória, as pistas foram alargadas, mas seguem parcialmente interditadas até porque a barreira rígida que as separa está incompleta, com apenas dois quilômetros de extensão.
"Se não terminar isso aí, vai ficar feio. A gente vê acidente direto por aqui", conta o comerciante Gerson Petenassi, que há 20 anos mora bem em frente, às margens da rodovia. Segundo ele, em dias de chuva a pista no sentido Londrina-Curitiba "vira uma piscina" porque a água que escorre da parte alta da via não consegue vazão para escoar pelas manilhas. Ele também afirmou que aquele trecho carece de uma melhor iluminação.

Paisagem
Seguindo o curso no sentido Londrina-Cambé, o primeiro sinal de vida operária nas obras de duplicação da PR-445 está no viaduto em frente à Avenida Harry Prochet, que ainda faz parte do primeiro lote. Lá, 25 funcionários da Sanches Tripoloni trabalham para aterrar a pista que vai passar por baixo da estrutura. O viaduto tem seis metros.
O segundo lote se estende da Harry Prochet até a Universidade Estadual de Londrina (UEL). Nesse trecho, um outro viaduto está mais "cru", apenas com as vigas de pé, em frente à Avenida Waldemar Spranger. O terceiro lote, de responsabilidade da construtora Triunfo, vai da UEL até o entroncamento com a BR-369, no trevo para Cambé. O viaduto que se ergue no cruzamento com a Avenida Arthur Thomas impressiona pelo tamanho e pelo estado adiantado das obras. Boa parte da pista entre o bairro Novo Bandeirantes, em Cambé, e o acesso secundário ao Parque Ney Braga, está aterrada.

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