Ribeiro tomou posse com imagem comprometida
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005
Rosa Costa<br> Agência Estado 
Brasília - O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) chegou ao Senado, em 11 de janeiro, com a imagem comprometida. Dias antes, no decorrer da chamada Operação Pororoca, Ribeiro foi preso pela Polícia Federal (PF) com mais 29 políticos, empresários e funcionários públicos, acusados de integrar uma quadrilha envolvida em fraudes em licitações públicas.
Procurado ontem, ele não respondeu à ligação para falar da nova denúncia de que é alvo: de que a empresa dele, a Engeplan, é uma das recordistas de sonegação do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na Região Norte (leia ao lado). No fim da tarde, o gabinete de Ribeiro divulgou uma nota informando que ele não pertence mais à empresa desde 22 de dezembro.
O mesmo argumento foi usado por Antonio Carlos Pacheco, que se identificou à reportagem como um dos diretores da Engeplan. Pacheco tentou rebater a acusação, dizendo que Ribeiro teria se licenciado da empresa para assumir o mandato de senador, em 22 de dezembro quando as investigações da PF estavam quase concluídas. Outra alegação do diretor da Engeplan é que a denúncia ''é improcedente'' e que teria sido forjada ''por petistas da coordenação regional da Previdência para denegrir a imagem do senador''.
Ribeiro assumiu a vaga de suplente aberta com a eleição do prefeito de Belém, Duciomar Costa (PTB). A posse do senador do PSDB do Pará, apesar da prisão recente, foi prestigiada, entre outros, pelo governador Simão Jatene (PSDB) e pela presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado, desembargadora Maria do Nazaré Bravo. Na ocasião, Ribeiro disse que não foi ''nem processado, nem incluído em nenhum inquérito''.
O senador do PSDB segue à risca o modelo mais constante de suplente de senador, a do empresário que termina se envolvendo na política graças à capacidade de financiar campanhas. Alguns deles conseguem ganhar notoriedade e experiência para continuar na função, após serem eleitos.
Mas, no geral, eles limitam-se a usufruir do restante do mandato, pelo qual pagaram a campanha, sem ter fôlego para seguir por conta própria na carreira política.


