Ribeirinhos se preocupam com as chuvas
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terça-feira, 09 de janeiro de 2007
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
As chuvas tão desejadas no ano passado já começam a assustar os moradores ribeirinhos do Rio Tibagi, no município de Jataizinho (21 km a leste de Londrina). ''É só começar a trovejar e chover sem parar que a gente já começa a levantar os móveis. De noite, nem dorme direito'', revela a moradora de uma chácara à beira do rio, Elaine Alves, de 35 anos.
Na década de 90, ela perdeu uma cômoda, armários e outros móveis em uma enchente causada pelo aumento do nível do Tibagi - em função das chuvas intermitentes. ''Eu estava em Curitiba, de férias, e minha mãe me ligou para contar. Tiveram que amarrar meu carro senão o rio levava. A casa ficou só com o telhado para fora'', lembra.
Outro morador das imediações, Vitor Agnelo da Silva, 66 anos, nunca perdeu nada com as enchentes, que acompanha há 40 anos, mas já viu freezer boiando Tibagi abaixo. ''Era novinho. Quando olhei, estava lá no meio'', aponta para a correnteza no meio do rio. Mesmo acostumado, ele está impressionado com o volume do manancial dos últimos dias. ''Esses matos que você vê só a pontinha, isso tudo a gente andava por ali. Desapareceu por esses dias. E ontem estava mais cheio ainda''.
Mas o presidente da Defesa Civil local e secretário de Meio Ambiente e Agricultura de Jataizinho, Orlando Teodoro Dias, assegura que não há motivos para alarme. ''Andei rondando por lá (nos margens do rio) e o nível está tranquilo ainda. A população pode se despreocupar''. Ele ressaltou ainda que também está acompanhando outros pontos do município - que são críticos em épocas de chuvas - e afirma que também estão sob controle.
Dias recorda que a última enchente grave aconteceu em fevereiro de 2002, quando algumas famílias ficaram ilhadas e também chegaram a perder móveis e eletrodomésticos. ''Mas acredito que isto não vai acontecer novamente porque a gente sabe quando é a hora. Quando começa a chover bastante e sem parar lá na região de Ponta Grossa e Curitiba, o rio já vem cheio. Se estiver chovendo aqui também, aí a gente fica em alerta'', explica.
Mas a população não aparenta tanta tranquilidade. ''É complicado, porque além de perder coisas, a sujeira é demais. Daquela vez (em 1994), minha casa ficou com barro nas paredes a uma altura de 1,80 metros. Tivemos que tirar com pá, acredita?'', lembra Elaine. Além disso, há também o perigo de perder a mobília para ladrões. ''Se a gente sai de casa com medo da chuva, ela é saqueada. Se fica, corre o risco da água levar a gente junto. Aí fica difícil, não é?''.


