Ribeirão do Pinhal- Moradores de Ribeirão do Pinhal (57 km a oeste de Jacarezinho) estão se mobilizando para tentar salvar a vida da artesã Erquília Aparecida da Rocha, 60 anos. Ela aguarda a liberação de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) para reimplantar um novo desfibrilador cardioversor, equipamento que a mantém viva desde 1996.
Erquília sofre de um tipo de arritmia grave decorrente do Mal de Chagas e foi uma das 50 pacientes no País a receber o equipamente gratuitamente na ocasião. O procedimento estava sendo testado pelos cardiologistas e os beneficiados basearam pesquisas que aperfeiçoaram a tecnologia.
O distúrbio de Erquília provoca paradas cardíacas de até dois segundos. As paradas causam desmaios e quedas, o que exige da paciente repouso absoluto e atenção integral da família.
O estado de saúde da artesã tem se agravado nos últimos meses. A bateria do desfibrilador está fraca e, gradativamente, vem tirando a eficiência do equipamento. Segundo os médicos do Instituto Dante Pazzanene de Cardiologia, localizado na capital paulista e responsável pelo tratamento, o coração de Erquília suportaria, no máximo, mais 60 dias.
O custo da cirurgia de implante é de US$ 30 mil (pelo câmbio oficial, o equivalente a R$ 72,6 mil). De acordo com as informações passadas pela paciente, os médicos estão apreensivos porque o SUS demora, em média, cinco meses para liberar os recursos. ''Acho que não aguento esperar tanto tempo'', avalia ela.
A troca do aparelho estava prevista para o final do ano, mas um revés complicou ainda mais a situação de Erquília. Orientada pela equipe médica a evitar campos magnéticos mais potentes, a artesã sempre foi muito disciplinada. Não se aproximava nem mesmo de telefones celulares, por exemplo.
Mas há algumas semanas, um caminhão de uma transportadora estacionou em frente a sua casa. Erquília estava próximo ao portão, do lado de dentro do quintal. Sem notar, os apetrechos do veículos o radio-amador e o rastreador por satélite estavam descarregando o desfibrilador. ''Fui salva pela minha filha, que pediu desesperada para o motorista tirar o caminhão de lá'', relembra. O incidente diminuiu em alguns meses a vida útil do aparelho.
Com base no fato de que Erquília seria uma paciente especial por ter sido voluntária nos testes do equipamento em 1996, os moradores de Ribeirão do Pinhal inclusive os vereadores do Município estão se mobilizando para sensibilizar diretamente o ministro da Sa© úde, Humberto Costa. Os vereadores devem enviar um ofício relatando o caso e pedindo urgência na liberação do procedimento. A população deve engrossar o manifesto com um abaixo-assinado.
Também não está descartada a possibilidade de uma medida judicial antecipar a cirurgia. Erquília deve procurar o Ministério Público Federal que pode pleitear junto à Justiça Federal uma liminar que garanta a realização da cirurgia o mais rápido possível.
Se forem esgotadas todas possibilidades, a saída será arrecadar recursos através do déposito de donativos em uma conta bancária e a realização de algum evento comunitário beneficente. O telefone de contato é o (43) 3551-1109.
Enquanto o problema não é solucionado, Erquília passa os dias da maneira como mais gosta: produzindo peças de croché e bordado. ''Em 2000, quando fiz o primeiro reimplante, a situação também era muito difícil e no final o SUS acabou liberando o recurso. Tenho a esperança que desta vez, aconteça a mesma coisa'', diz a artesã, confiando no bom senso do Ministério da Saúde.

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