Riachos de Ponta Grossa viram depósito de lixo
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quarta-feira, 21 de março de 2001
De Ponta Grossa 
O município de Ponta Grossa tem um privilégio natural que, em outras condições, poderia até causar inveja às demais cidades do Paraná. Em toda a sua extensão, a cidade tem cerca de 150 quilômetros de arroios. São pequenos riachos que cortam a cidade. Isso representa cerca de 0,5 metro de arroio para cada pontagrossense.
A abundância de água que deveria ser motivo de orgulho, no entanto, passa por um momento vergonhoso. Todos os arroios da cidade estão transformados em depósitos de lixo e esgoto. No centro da cidade, próximo a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), dezenas de casebres estão construídos à margem do arroio. Como não há coleta do esgoto, todos os dejetos vão para dentro da água.
Do outro lado da cidade, na Vila Madureira, a situação não é diferente. Esgoto e lixo correm por onde deveria passar água limpa. Situação idêntica à verificada no arroio da Ronda. O lixo é tanto que no último período de chuvas fortes, a água subiu e levou uma parede da casa construída as suas margens. Os moradores reclamam que, desde que mudaram para o local, há cerca de dez anos, nunca viram a prefeitura promover uma limpeza sequer no arroio.
Há alguns anos, a prefeitura elaborou projetos para recuperação dessas áreas. A verba de R$ 3 milhões foi disponibilizada para a prefeitura em 1997 através do programa Pró-Base. Mas, por causa de divergências entre a prefeitura e a empresa contratada para a execução das obras, elas foram paralisadas. O prazo para renegociação dos recursos acabou e o dinheiro foi perdido. (Denise Angelo)


