Paris, 28 (AE) - Na reunião de apresentação dos resultados da Rhône-Poulenc, hoje, em Paris, a crise brasileira foi várias vezes citada, obrigando o presidente mundial da organização, Jean Fourtou, a pedir ao presidente da Rhodia Brasil, José Carlos Grubisich, que explicasse a situação econômica do País a jornalistas e analistas econômicos que participavam do encontro. Grubisich disse que a desvalorização cambial tornará os produtos da Rhodia do Brasil mais competitivos, permitindo uma ampliação das exportaçäes neste ano. Ele espera um crescimento de vendas de até 5%.
Grubisich salientou que ainda não há como prever claramente o que ocorrerá na economia brasileira, mas ele acredita que sua empresa novamente deverá ter um bom desempenho em 99. O executivo destacou que não há muito espaço no Brasil para reajustes de preço, já que não houve aumento de salários e existe um processo recessivo. "Como aumentar preços de produtos se há dificuldade para vendê-los? Fica muito difícil; portanto, não acredito em aumentos desenfreados de preços." Ele admitiu, porém, com a desvalorização cambial, alguns produtos farmacêuticos poderão ter reajustes, já que suas matérias-primas são importadas.
O presidente da Rhodia do Brasil disse que o ano passado não foi tão ruim como se esperava. "Foi muito bom: nosso resultado operacional subiu de US$ 85 milhäes, em 97, para US$ 141 milhäes, em 98", afirmou.
Venda da Rhodia - No acordo para a fusão entre a Rhône- Poulenc e a Hoechst está prevista a venda, dentro de três anos, dos 68% do controle de capital que a Rhône-Poulenc mantém na Rhodia do Brasil. Essa venda deverá ocorrer por meio do mercado de capitais. Conforme o mesmo acordo, a Hoechst deverá desfazer-se de toda sua área química, segundo o presidente da Rhône-Poulenc. Fourtou anunciou que sua companhia obteve lucro de US$ 700 milhäes e vendas de US$ 15 bilhäes no ano passado. O lucro cresceu 23,2%.
"Os resultados são consequência de uma reestruturação global da companhia que proporcionou aumento de competitividade e redução de custos", disse Fourtou. Ele disse que espera para os próximos três anos um crescimento anual de 15% no faturamento da companhia.
Aventis - Durante a apresentação dos resultados, o principal assunto foi a criação da Aventis, resultado da associação com a Hoechst. A nova empresa deverá estar operando no Brasil em julho. Fourtou disse também que o conjunto Hoechst e Rhône-Poulenc possui 120 fábricas espalhadas por vários países e o que se analisa agora, nos grupos de trabalhos formados para a fusão, é a sinergia entre as unidades. "Por isso ainda é difícil dizer quantos funcionários serão dispensados." Ele explicou que, em três anos, quando a Hoechst desligar-se de sua área química, passará a concentrar-se no setor de ciências da vida (produtos farmacêuticos e da área agroindustrial).
A Aventis será dividida em duas: Aventis Farma e Aventis Agricultura. Vai surgir na área farmacêutica com 62 produtos novos, a serem lançados no mercado até 2002, o mesmo ocorrendo em relação aos produtos da área de agricultura.
A Rhodia Brasil anunciou que fará investimentos da ordem de US$ 160 milhäes nos próximos três anos. O presidente da empresa, também responsável pela Rhodia América Latina, informou que a companhia está no mercado para comprar outras empresas dentro da sua área de atuação não só no Brasil, como em outros países latino- americanos.
Grubisich explicou também que a associação entre Rhône- Poulenc e a Hoechst, criando a Aventis, vai permitir um faturamento de cerca de US$ 1 bilhão somente no Brasil. Grubisich disse que a Rhodia fechou 98 com uma atuação expressiva, ampliando seu faturamento de US$ 1,082 bilhão para US$ 1,158 bilhão, conseguindo um avanço de 7% no mercado, principalmente por causa do primeiro semestre do ano, quando as vendas foram muito boas.
O presidente da Rhodia salientou que a empresa conseguiu um ganho de produtividade de 22,5% em 98, com seu resultado operacional saltando 66%. Ele informou que os investimentos realizados pela Rhodia no Brasil nos últimos cinco anos, encerrados em 98, chegaram a US$ 700 milhäes.
Grubisich confirmou também que a Rhodia está vendendo a Rhodia-Ster e há muitos interessados em adquiri-la. "Nós estamos deixando o negócio de polyester, por isso estamos vendendo a Rhodia- Ster." Ele confirmou também que vai ser desfeita a joint venture entre a Rhodia e a Hoechst, que foi feita em 1995, para a produção de fibras têxteis, criando-se a Fairway. Nessa sociedade que está sendo desfeita, a Rhodia ficará com a área de poliamida e a Hoechst com a de poliester.
Perspectivas - Grubisich acredita que a economia brasileira retomará seu crescimento no segundo semestre. "Neste ano a Rhodia completa 80 anos no Brasil; conhecemos a economia brasileira muito bem e entendemos que ela deverá voltar a crescer no segundo semestre, após os ajustes que estão sendo feitos", diz.
Para o executivo, "é muito prematuro falar em inflação agora, apesar de sabermos que alguns produtos poderão ter reajustes, mas na Rhodia não estamos falando em aumento de preços; nosso negócio, no momento, é trabalhar e buscar o ganho no mercado; vamos continuar fazendo investimentos no País."

mockup