Washington, 07 (AE) - O vice-presidente do Citibank, William Rhodes, chega terça-feira ao Brasil para uma visita previamente programada - que inclui também a Argentina - mas que assume uma importância especial no momento em que as autoridades econômicas negociam com o Fundo Monetário Internacional (FMI) as condições para a continuação do apoio da comunidade financeira oficial ao País.
De acordo com um alto executivo de Wall Street que acompanha de perto a situação brasileira, a disposição dos bancos comerciais e de outras instituições financeiras privadas de renovar seus créditos ao governo e a empresas brasileiras depende da confirmação desse apoio em prazo relativamente curto, por meio da liberação de uma nova parcela do crédito de US$ 41,5 bilhões aprovado pelo FMI no início de dezembro.
Rhodes, que comandou o comitê de bancos credores do Brasil nas várias renegociações da dívida externa realizadas entre 1983 e 1994, terá reuniões em São Paulo e Brasília antes de viajar para Buenos Aires. Em novembro passado, ele articulou um anúncio de um esquema voluntários de grandes bancos internacionais para manter e ampliar linhas de crédito ao Brasil
que acabou frustrado pela rejeição da reforma da Previdência e o adiamento da votação do aumento do CPMF.
"A chave é a taxa de juros", declarou Rhodes numa entrevista na semana passada, refletindo o temor generalizado de que a manutenção dos juros altos, por muito tempo, agravará ainda mais o quadro fiscal e continuará asfixiando a economia e provocar uma brutal recessão, uma combinação que preocupa os credores, pois pode deixar o governo e as empresas sem ter como honrar suas obrigações financeiras. "E a chave para a (redução da) taxa de juros é a confiança, que pode ser criada por um programa fiscal forte", afirmou Rhodes.
O banqueiro previu que "medidas fiscais adicionais" seriam incluídas na nova versão do programa do Brasil com o FMI, para compensar o impacto negativo das desvalorização nas contas públicas. Foi o que aconteceu, de acordo com o anúncio conjunto que o governo e a organização internacional fizeram horas depois da declaração de Rhodes. Mas o comunicado do Fundo e do governo brasileiro não satisfez os credores e investidores externos.
"O anúncio não disse muito", disse um banqueiro que conhece o pensamento de Rhodes e de outros altos executivos de Wall Street. "Ele não esclareceu quais são as medidas, como o Fundo dará seu apoio e, sobretudo, se exigirá a execução dessas medidas adicionais antes de fazer um novo desembolso ou se apenas o anúncio das medidas será suficiente", afirmou.
"O que o mercado quer saber é quando o Brasil terá acesso ao dinheiro. A resposta a essa pergunta é chave para o restabelecimento da confiança", acrescentou. "Se esse desembolso demorar mais do que um mês, acho que o Brasil vai ter problemas, porque ficará parecendo tanto para os credores externos como para os credores internos, que neste momento são até mais importantes porque enfrentam o risco maior, que o governo não tem a confianca internacional (de governos e instituições oficiais que deram o crédito de US$ 41,5 bilhões)."

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