Paris, 14 (AE) - Chamado novamente a coordenar a participação dos bancos internacionais no financiamento do Brasil, o vice-presidente do Citibank, William R. Rhodes, disse hoje que tem recebido apenas sinais favoráveis dos bancos credores do País sobre a disposição de manter as linhas de crédito interbancária e comercial e previu para breve o início de um movimento de restauração de empréstimos de curto e médio prazo que os bancos deixaram de renovar nos último oito a nove meses.
"Até agora a receptividade ao pedido do governo de manutenção das linhas tem sido favorável e todos os bancos com quem falei estão preparados para manter os empréstimos", disse Rhodes, que presidiu o comitê de bancos credores da dívida externa brasileira em três renegociações após a crise de 1982. "Tenho recebido indicações também de que, nas próximas semanas, à medida em que o governo avançar na execução do programa econômico, alguns bancos começarão a aumentar suas linhas para o Brasil", afirmou. "Esse será o sinal do sucesso".
O alto executivo do Citibank disse que é importante que o governo intensifique de agora em diante seus contatos com os bancos internacionais e aplaudiu a decisão do ministro da Fazenda, Pedro Malan, de fazer uma escala em Madri, esta semana, em sua viagem de volta ao Brasil, para fazer uma apresentação do programa econômico aos bancos espanhóis, que aumentaram consideravelmente sua participação proporcional no financiamento externo do País.
Paralelamente, o secretário internacional do Ministério da Fazenda, Marcos Caramuru de Paiva, que faz apresentação do programa econômico aos bancos japoneses nesta segunda-feira, em Tóquio, irá à Itália e a Portugal para deixar clara a importância que o governo atribuiu à participação dos bancos dos dois países no financimento do Brasil.
"Não tenho dúvidas de que os bancos restabelecerão suas linhas de crédito ao Brasil", afirmou o ministro das Finanças do México, José Angel Gurria, que anunciou hoje a conclusão de uma operação de refinanciamento, a juros mais baixos, de um crédito de emergência de US$ 2,6 bilhões que tomou dos bancos no ano passado para enfrentar a crise financeira desencadeada pela moratória da Rússia. "Os bancos não podem se dar ao luxo de não dar créditos ao Brasil, pois o sucesso da atual política econômica é de seu interesse".
O presidente do banco de investimentos CSFB, David Mulford, também mostrou-se otimista. "Tenho confiança no presidente do Brasil e na sua determinação de levar adiante o ajuste fiscal. "O presidente tem um estilo de fazer as coisas por consenso e tende a demorar um pouco para tomar decisões, mas uma vez que as toma é muito firme na execução e não tenho dúvidas, por essa razão, de que o Brasil vencerá esta crise", acrescentou Mulford, que foi subsecretário internacional do Tesouro dos EUA na última administração republicana. Uma pesquisa do Banco de Boston com 101 executivos de bancos internacionais revelou um outro dado positivo: o Brasil passou a Argentina como destino preferido de investimentos na região, depois do Chile e do México.
Colocado novamente no centro da operação montada pelo governo para reconquistar a confiança do mercado, Rhodes teve hoje reuniões sucessivas com o presidente do Banco Central, Armínio Fraga Neto, e com o subsecretário do Tesouro dos Estados Unidos, Lawrence Summers. De ambos, ouviu perguntas sobre a reação dos bancos ao pedido brasileiro - uma informação que ele sabe ser vital para que os países do Grupo dos Sete confirmem seu apoio ao novo programa que o Brasil negociou com o FMI e o diretor-geral do Fundo, Michel Camdessus, submeta o acordo à aprovação da diretoria executiva da instituição. Prevista em princípio para o próximo dia 30, a decisão sobre o programa brasileiro pelo FMI permitirá a liberação da segunda parcela de US$ 9,3 bilhões do empréstimo de US$ 41,5 bilhões que a comunidade financeira oficial concendeu ao País em dezembro do ano passado.
A aposta do governo é que a liberação do dinheiro do FMI
combinado com o aprofundamento do ajuste fiscal, contribua para produzir um choque positivo de expectativas e prepare o caminho para um retorno do País ao mercado de capitais em algum momento durante o mês de abril, com uma emissão de mais de US$ 1 bilhão em títulos pelo Banco Central.
Esta operação é crucial para que o setor público e as empresas possam refinanciar sem problemas os mais de US$ 21 bilhões em obrigações securitizadas que vencem nos próximos nove meses. O cronograma de vencimentos tem três ou quatro períodos de concentração de amortizações nos próximos quatro meses que pressionarão o real, se continuarem as dúvidas atuais sobre a capacidade do País de normalizar o fluxo de dólares na economia. "O nome do jogo é confiança", afirmou Rhodes. "Restaurada a confiança, o dinheiro começará a voltar, a taxa de câmbio se estabilizará e a taxa de juros começará a cair", disse Rhodes.

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