Rhodes diz que País volta ao mercado em duas semanas
Washington, 13 (AE) - O vice-presidente do Citibank, William R. Rhodes, previu hoje, em Nova York ,o retorno do Brasil ao mercado internacional de capitais nas próximas duas semanas. Rhodes, que vêem coordenando, a pedido do Banco Central
o monitoramento da renovação das linhas de crédito de curto prazo que o País solicitou no mês passado à comunidade financeira, disse que a volta das emissões de dívida do governo brasileiro reforçará a confiança dos investidores estrangeiros no País e dará mais espaço para o Banco Central "acelerar a queda da taxa de juros". O desafio para o Brasil "é como trazer para baixo a taxa de juros o mais cedo possível (mas) fazê-lo de uma maneira razoável e prudente", afirmou ele.
O fato de a declaração de Rhodes ter ocorrido no mesmo dia em que o governo divulgou dados confirmando a deterioração do déficit público nominal e da relação dívida pública/PIB nos dois primeiros meses do ano, indica que o mercado já esperava a má notícia - um reflexo inevitável da desvalorização do real - e que ela não prejudicará o esforço de reconquista da credibilidade perdida na crise que obrigou o País a mudar o regime cambial, em janeiro passado.
A declaração do banqueiro sugere também que o BC decidiu usar a reunião de primavera do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, na semana que vem, em Washington, para amplificar o efeito positivo da volta do País ao mercado de capitais, que se fechou após a moratória parcial da Rússia, em agosto do ano passado. O presidente do BC, Armínio Fraga Neto, já havia adiantado que o País faria uma emissão de mais de US$ 1 bilhão após a aprovação pela diretoria executiva do FMI da revisão do programa de estabilização fiscal mais duro que o governo negociou com a instituição após a mudança do regime cambial.
Os sinais cada vez mais nítidos de que o Brasil está a caminho de superar as dificuldades financeiras, sem afrouxar a busca da disciplina fiscal, e a ausência de novas crises no horizonte liberaram a pauta do próximo encontro do FMI das emergências que dominaram as últimas reuniões da instituição. Isso deve permitir um debate mais aprofundado da chamada nova arquitetura do sistema financeiro internacional, para torná-lo mais resistente ao poder de contágio que as crises financeiras nacionais demonstraram ter no novo mercado globalizado, a partir do colapso do peso mexicano, no final de 1994.
A discussão, que vem ocorrendo em vários foros, ganhou novo impulso hoje numa reunião a porta fechadas dos vice-ministros das finanças dos 24 países que tem assento no Comitê Interino do FMI. É a primeira vez que eles se reúnem como grupo para preparar o encontro dos ministros - o evento mais importante do encontro de primavera do Fundo.
"Há muito interesse no Grupo dos Sete (as potências industrializadas) em ampliar as decisões sobre a nova arquitetura do sistema financeiro para um número maior de países", disse uma fonte oficial. "As crises do sistema financeiro tem começado nos mercados emergentes e o que precisa ser feito precisa ser feito em larga medida pelos mercados emergentes".
O debate prossegue hoje numa conferência de reguladores e supervisores do mercado financeiro organizada pelo Banco Internacional de Compensações, o BIS. De acordo com fontes familiarizadas com a discussão, há consenso de que já se avançou bastante em áreas como a disseminação de informações oficiais aos mercados e os códigos de conduta para garantir a transparência das políticas fiscal e monetária e que a atenção das autoridades deve-se voltar agora a novas idéias sobre mecanismos de contingência para evitar o contágio em países que estão seguindo políticas econômicas sancionadas pelo sistema.





