RFFSA é multada em R$ 20 mi por vazamento de ascarel
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quinta-feira, 26 de abril de 2001
José Maria Tomazela Agência Estado De Iperó, SP 
Um vazamento de pelo menos 40 mil litros de óleo contendo ascarel foi detectado ontem por técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) na Fazenda Ipanema, em Iperó, a 130 quilômetros de São Paulo. O produto, considerado cancerígeno e proibido no País desde 1981, escapou dos transformadores de uma subestação de energia desativada pertencente à Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA).
A empresa foi multada em R$ 20 milhões pelo órgão ambiental, mas vai recorrer contra a autuação. A área contaminada, de cerca de 5 mil metros, faz parte da Floresta Nacional de Ipanema (Flona), administrada pelo Ibama, e foi interditada. O vazamento ocorreu porque os equipamentos foram saqueados por ladrões de sucata. A subestação era utilizada pela linha eletrificada da extinta Fepasa, cujo patrimônio foi incorporado pela Rede. Com a privatização, a ferrovia passou a ser operada pela Ferroban que optou por máquinas a diesel. As subestações elétricas, desativadas, foram devolvidas à rede no ano passado.
Segundo a perita Rita Alves, do Departamento de Registro e Licenciamento do Ibama, pode ter havido contaminação de lençóis freáticos que, no local, estão muito próximos da superfície. O vazamento pode ter atingido também o lago formado pela Represa de Heidberg, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que fica a menos de 100 metros da subestação. No lago funciona um pesque-pague. Há risco de que a substância tenha atingido as águas do Ribeirão Ipanema, afluente do Rio Sorocaba, utilizado para abastecimento de várias cidades. Amostras foram colhidas para análises.
A extensão do impacto ambiental só será conhecida em dois meses, quando os técnicos concluírem os levantamentos. As famílias que moram perto da subestação serão submetidas a exames médicos. A empresa terá de remover todos os equipamentos e também a terra impregnada pelo óleo. O engenheiro Paulo Oliveira, técnico da RFFSA, informou que já foi providenciada a retirada dos 12 mil litros de óleo contaminado que tinham sobrado nos equipamentos.
Ele explicou que o ascarel era utilizado no sistema de refrigeração dos equipamentos elétricos até a década de 60, quando começaram a surgir informações de que causava riscos à saúde. A partir daí, seu uso começou a ser proibido em todo mundo. As ferrovias brasileiras foram notificadas para trocar esse produto por óleo mineral. O que pode ter ocorrido em Iperó é que o esgotamento não foi eficiente e sobraram resíduos do ascarel. Ele disse que, diluídos no óleo mineral, esses resíduos têm reduzida sua periculosidade.
A Cetesb já autuara a empresa em R$ 650 mil pelo vazamento. A RFFSA informou que removeu o óleo com resíduos de ascarel que havia em outra subestação, no Bairro Pantojo, em Mairinque. Ali ocorreu, recentemente, um vazamento de mercúrio, metal considerado tóxico.


