Um vazamento de pelo menos 40 mil litros de óleo contendo ascarel foi detectado ontem por técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) na Fazenda Ipanema, em Iperó, a 130 quilômetros de São Paulo. O produto, considerado cancerígeno e proibido no País desde 1981, escapou dos transformadores de uma subestação de energia desativada pertencente à Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA).
A empresa foi multada em R$ 20 milhões pelo órgão ambiental, mas vai recorrer contra a autuação. A área contaminada, de cerca de 5 mil metros, faz parte da Floresta Nacional de Ipanema (Flona), administrada pelo Ibama, e foi interditada. O vazamento ocorreu porque os equipamentos foram saqueados por ladrões de sucata. A subestação era utilizada pela linha eletrificada da extinta Fepasa, cujo patrimônio foi incorporado pela Rede. Com a privatização, a ferrovia passou a ser operada pela Ferroban que optou por máquinas a diesel. As subestações elétricas, desativadas, foram devolvidas à rede no ano passado.
Segundo a perita Rita Alves, do Departamento de Registro e Licenciamento do Ibama, pode ter havido contaminação de lençóis freáticos que, no local, estão muito próximos da superfície. O vazamento pode ter atingido também o lago formado pela Represa de Heidberg, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que fica a menos de 100 metros da subestação. No lago funciona um pesque-pague. Há risco de que a substância tenha atingido as águas do Ribeirão Ipanema, afluente do Rio Sorocaba, utilizado para abastecimento de várias cidades. Amostras foram colhidas para análises.
A extensão do impacto ambiental só será conhecida em dois meses, quando os técnicos concluírem os levantamentos. As famílias que moram perto da subestação serão submetidas a exames médicos. A empresa terá de remover todos os equipamentos e também a terra impregnada pelo óleo. O engenheiro Paulo Oliveira, técnico da RFFSA, informou que já foi providenciada a retirada dos 12 mil litros de óleo contaminado que tinham sobrado nos equipamentos.
Ele explicou que o ascarel era utilizado no sistema de refrigeração dos equipamentos elétricos até a década de 60, quando começaram a surgir informações de que causava riscos à saúde. ‘‘A partir daí, seu uso começou a ser proibido em todo mundo.’’ As ferrovias brasileiras foram notificadas para trocar esse produto por óleo mineral. ‘‘O que pode ter ocorrido em Iperó é que o esgotamento não foi eficiente e sobraram resíduos do ascarel.’’ Ele disse que, diluídos no óleo mineral, esses resíduos têm reduzida sua periculosidade.
A Cetesb já autuara a empresa em R$ 650 mil pelo vazamento. A RFFSA informou que removeu o óleo com resíduos de ascarel que havia em outra subestação, no Bairro Pantojo, em Mairinque. Ali ocorreu, recentemente, um vazamento de mercúrio, metal considerado tóxico.

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