'Revolução' chega ao TRABALHO RURAL
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de setembro de 2001
Luciano Augusto<br> De Londrina 
Inovações tecnológicas começam a forçar - com algumas décadas de atraso - a profissionalização no campo, transformando as relações entre empregadores e empregados no meio rural. Da mesma forma como aconteceu com o mercado urbano, cresce a preocupação com garantias legais, reciclagem e garantias trabalhistas. Com isso, os profissionais conquistam registro em carteira e benefícios indiretos, antes privilégios exclusivos do trabalhador urbano
O meio rural está passando por uma revolução que poderá mudar o perfil do trabalhador do campo a médio prazo. Os responsáveis pela mudança são as mesmas forças que atuaram nas cidades: a introdução de equipamentos e inovações tecnológicas e a briga por mercado, que força a profissionalização dos envolvidos no processo produtivo.
De acordo com o coordenador estadual do Sistema Nacional de Emprego do Paraná (Sine-PR), órgão ligado à Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho (Sert), Walter Gonçalves, há alguns fatores positivos que servem como pano de fundo para esse processo de transformação por que passa o trabalho no campo.
Um fator essencial, segundo ele, é a formalização das relações trabalhistas no meio rural. Acostumados a usar mão-de-obra sem dar qualquer tipo de garantia legal, hoje Gonçalves aponta que o empregador rural está mais consciente e mais preocupado em legalizar essa relação, para fugir de ações trabalhistas. ''Sem essa relação (empregatícia) formal havia, por exemplo, o problema de se levar toda a família para a lida diária no campo. Isso forçou uma maior fiscalização do trabalho no campo'', avalia. O crescimento da agroindústria no Estado também contribuiu para o aumento dos registros.
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, indicam que o crescimento de emprego formal no Estado em junho foi de 0,43% - um acréscimo de 6.404 novos postos formais de trabalho. A agricultura teve o maior crescimento percentual (2,93%, ou 3.080 postos de trabalho). A indústria de transformação foi a que mais cresceu em números absolutos (0,83% ou 3.208); em seguida ficou o comércio (0,50% ou 1.501 postos).
Para comprovar esse crescimento, Gonçalves revela que as usinas de cana-de-açúcar que, historicamente, não registravam seus empregados, passaram a trabalhar com registro profissional. Ele cita o município de Bandeirantes (norte do Estado) que recrutou mais de 1.200 trabalhadores com carteira assinada em junho. Em Jacarezinho, também no norte, foram preenchidos outros mil postos formais. Nos períodos de entressafra, Gonçalves diz que esses trabalhadores receberão uma bolsa-qualificação, mantida com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
O coordenador estadual do Sine reforça que o trabalho no campo atualmente está ligado à busca por maior produtividade e competitividade. ''A cadeia de produção está cada vez mais enxuta, voltada para a profissionalização em todos os níveis, desde o preparo da terra, plantio das sementes, colheita até a comercialização.''


