Roma, 22 (AE-REUTERS) - A revolução na indústria bancária italiana intensificou-se hoje (22) depois das ofertas de compra feitas por dois grandes bancos a seus rivais de menor porte, negócios que permitirão criar dois gigantes do setor financeiro no país. As investidas, consideradas amistosas, fazem parte do mais novo capítulo da onda de consolidações no país, processo que reflete a disposição das instituições para melhorar a competitividade na era do euro.
O San Paolo-IMI, maior banco italiano em ativos, apresentou aos acionistas do Banca di Roma uma proposta de fusão por meio de uma operação de troca de ações no valor total de US$ 9,7 bilhões. Já o UniCredito, o maior em nível de capitalização no mercado, fez oferta similar pela Banca Commerciale Italiana, para formar o Eurobanca, instituição que ocuparia o quinto lugar em ativos no ranking europeu. Esse negócio foi avaliado em US$ 16,3 bilhões.
A oferta provocou uma alta de 12% nas ações do Banca di Roma negociadas no mercado de valores italiano, enquanto os títulos do BCI subiram 10,5% ontem, já que a direção desse banco ainda não revelou sua oponião a respeito da proposta. Cesare Geronzi, presidente do Banca di Roma, informou que vai analisar com atenção a oferta do San Paolo.
O primeiro-ministro da Itália, Massimo DAlea, manifestou apoido às propostas. "Estamos sendo testemunhas de um processo de reorganização que terá como resultado o fortalecimento das instituições bancárias do país", afirmou.
As primeiras reações dos acionistas estrangeiros mais influentes nos conselhos de administração das instituições potencialmente compradoras indicam também que as ofertas de fusão foram bem recebidas. O grupo holandês ABN Amro, que recentemente adquiriu 8,75% do BancaRoma, disse que não tinha objeções à oferta do San Paolo. Na Alemanha, o Deutsche Bank e o Commerzbank, cada um com uma participação acionária superior a 4% no BCI, admitiram apoiar a união com o UniCredito.
O UniCredito, aliás, é fruto de uma fusão verificada no ano passado entre o Credito Italiano e uma série de instituições bancárias regionais. Uma eventual fusão com o BCI permitiria criar um banco forte, que produzirá lucro líquido de 6,2 bilhões de liras já em 2002 e uma rentabilidade por ações em torno de 200 liras. Para os analistas locais, essa nova onda de fusões difere das anteriores por causa do tamanho das instituições, mas eles advertem que, justamente por isso, os novos bancos poderão ter mais dificuldade para reduzir a folha de pagamentos.

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