Rio, 16 (AE) - Aos gritos de "assassinos" e "justiça", endereçados aos policiais do 16º Batalhão da Polícia Militar, de Olaria, o corpo do estudante Edilson Reis, de 15 anos, foi enterrado na tarde de hoje no Cemitério de Irajá
zona norte do Rio. Reis foi assassinado a tiros em confronto entre policiais militares e traficantes da Favela de Vila Cruzeiro, ontem à tarde. Revoltados, moradores da favela destruíram oito ônibus e saquearam um supermercado. Dois rapazes ficaram feridos durante o saque.
Por volta das 16 horas de ontem (15), policiais do 16º BPM ocuparam a favela. Segundo a polícia, o tiroteio teve início quando os militares encontraram um grupo de traficantes. Edilson Reis foi baleado no peito e morreu horas depois de ser internado no Hospital Getúlio Vargas, na Penha. Ao tomarem conhecimento da morte, cerca de 500 moradores queimaram três ônibus, depredaram outros cinco e, com pedaços de pau, arrombaram a porta do supermercado Rainha, que fica na entrada da favela. Durante o saque, Leonardo Paulo de Souza, de 18 anos, e P.C., de 16 anos, tiveram cortes profundos nas pernas causados por estilhaços de vidro que caíram das portas. Os dois foram levados para o Hospital Getúlio Vargas e receberam alta hoje.
Policiais do Batalhão de Operações Especiais e do Batalhão de Choque foram chamados, e, de acordo com moradores, chegaram atirando para o alto. Houve correria e muitas pessoas que haviam saqueado o supermercado largaram produtos no chão para correr. A confusão foi controlada por volta das 23 horas, quando os policiais conseguiram fazer com que todos os moradores retornassem às suas casas. Drogas - Segundo a polícia, o jovem morto tinha envolvimento com o tráfico de drogas local, e teria atirado em um sargento, que confessou hoje ter matado o estudante em legítima defesa. Já os moradores disseram que Edilson jamais se envolvera com traficantes, e que, quando ele foi abordado pelo sargento, estava sentado em um banco dentro da favela. "Ele havia ido à farmácia comprar remédios para mim", contou a mãe do garoto, que não quis se identificar com medo de represália dos policiais.
A Secretaria de Segurança Pública anunciou que vai abrir uma investigação interna para saber se o PM que matou Edilson agiu em legítima defesa ou não. Mesmo com os moradores ainda revoltados, o comércio na entrada da favela funcionou normalmente hoje. Sessenta policiais militares ficaram de plantão durante todo o dia em Vila Cruzeiro.

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