Revolta marca enterro de vítimas
Choro, medo e revolta marcaram, ontem, os velórios e enterros das vítimas da chacina de anteontem em Francisco Morato (Grande São Paulo), quando homens encapuzados invadiram um bar e executaram onze pessoas. Durante todo o dia, oito corpos foram enterrados no Cemitério São Benedito, no Jardim Alegria, a cerca de 20 minutos do centro da cidade.
Luiz Carlos Lopes da Silva, Rosana Nascimento dos Santos, Silvio Marcos
Lucio de Barros, Rubens Francisco da Silva, João Donizete dos Santos,
Célia Gonçalves, José do Calmo dos Santos e Daniel Adaury do Nascimento
chegaram ao cemitério, nessa ordem, durante todo o dia. Os corpos foram enterrados por volta das 10 horas da manhã até às 5 horas da tarde. As outras três vítimas foram enterradas em outras cidades do Estado de São Paulo. Renato Girao, em São José dos Campos; Sandro Aparecido Soares, em Caieiras; e Evelyn Zenan, em Franco da Rocha.
O enterro que causou maior comoção foi o do motorista José Calmo dos Santos. Sua filha Elaine, 7, chorava compulsivamente e repetia diversas vezes: Não pode ser verdade, não pode ser. Amigos e familiares estavam revoltados com sua morte. Ele era trabalhador. Não merecia morrer. Quem é que vai cuidar das duas crianças que ele deixou? , perguntava Antônio Pereira, 45 anos, tio de Santos
Benedito de Souza, 60 anos, amigo do motorista, gritava exaltado: Estou revoltado. Está cheio de vagabundo se enchendo de tóxico e ninguém faz nada. As pessoas têm medo de falar. Vários pais de família, como José, já morreram aqui .
Segundo amigos, José, que estava desempregado, ficou muito feliz com o novo emprego de motorista, conseguido há três meses. No dia do crime, ele teria pego uma carona com o motorista João Donizete e o cobrador Silvio Barros, também vítimas da chacina. Eles estariam tomando cerveja após o trabalho.
O governador Mário Covas afirmou ontem que o Estado está fazendo todo o possível para que a polícia atue na prevenção de crimes como a chacina de Francisco Morato. Ele ressaltou que é impossível evitar esse tipo de crime, mas citou o aparelhamento das polícias como fator fundamental no combate à violência. A polícia não está em cada parte da cidade e não se anuncia com antecipação um ato desses, mas quando isso acontece, a polícia tem de estar, e atualmente está, equipada, analisou o governador, referindo-se à chacina. Não é possível evitar, mas é possível prevenir com o aparelhamento da polícia e isso o Estado está fazendo.Arquivo FolhaPrevençãoO governador Mário Covas disse que está fazendo o possível: Não é possível evitar, mas é possível prevenirAgência Folha
e Agência Estado





