Revolta marca enterro de sem-terra em Pernanbuco
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terça-feira, 10 de junho de 1997
Agência Estado Recife 
Em clima de revolta, os trabalhadores sem terra sepultaram seus dois mortos ontem, em Nazaré da Mata, a 72 quilômetros do Recife, prometendo novas invasões e afirmando estarem prontos para uma guerra.
Nós já estamos em guerra/ O lado de lá já decretou/ Pois já pagou pistoleiro/ Para matar trabalhador, dizia um dos versos cantados por mais de mil manifestantes (segundo a Polícia Militar) durante um ato de protesto realizado no centro da cidade antes do enterro de Inácio José da Silva, 20 anos, e Pedro Augusto da Silva, 56. O risco que corre o pau/corre o machado/aquele que mandar matar/também pode morrer, continuavam os sem-terra enquanto acompanhavam os dois caixões carregando cruzes de cipó, foices, enxadas e bandeiras do MST.
Durante a manifestação, os sem terra chamaram de assassino o dono do Engenho, Rui Ramos, e pediram a sua prisão preventiva. Segundo o MST, a responsabilidade do proprietário é confessa, na medida em que a Associação dos Fornecedores de Cana do Estado publicou, um dia antes do massacre, na imprensa local, uma nota afirmando que os produtores de cana estão mobilizados para barrar invasões de propriedades na Zona da Mata e decidiram dar um basta à violência contra o direito de propriedade.
Enviado pelo Ministério da Reforma Agrária para acompanhar as investigações policiais, o diretor de conflitos do Incra, Gilmar Viana, afirmou que o Governo Federal considera a Zona da Mata pernambucana uma das três áreas críticas do País em relação a problemas fundiários, ao lado do Pontal do Paranapanema e o Sul do Pará.


