São Paulo - O enterro da dona-de-casa Maria do Carmo Alves, 46 anos, realizado ontem de manhã no cemitério do Campo Grande (zona sul de SP), foi cercado pela indignação dos familiares da vítima. Ela foi morta e esquartejada pelo cirurgião plástico Farah Jorge Farah, dia 25 de janeiro.
''Seu visse aquele médico agora na minha frente eu seria capaz de fazer a mesma coisa que ele fez com a minha filha'', disse o pai de Maria do Carmo, o aposentado Amaro Alves da Silva, 70.
Ceca de 50 pessoas foram ao enterro. ''Mais do que nunca eu quero Justiça'', afirmou a irmã da Maria do Carmo, Maria Aparecida.
O advogado da família de Maria do Carmo, Rodnei Barbirato Ferreira, disse que vai ingressar com um processo de indenização por danos morais e materiais contra Farah. Antes, vai pedir o bloqueio dos bens do médico, para impedir que ele se desfaça do patrimônio.
A polícia ainda não sabe quem foi o responsável pela vinculação na internet das fotos do corpo da dona-de-casa em uma sala do IML (Instituto Médico Legal).
Denúncia - O juiz do 2.º Tribunal do Júri, Marco Antônio Martin Vargas, recebeu ontem denúncia apresentada pelo promotor Orides Boiate contra o médico Farah Jorge Farah. O interrogatório do réu foi marcado para o dia 21, às 10 horas.
O magistrado enquadrou Farah em ação penal por homicídio triplamente qualificado (motivação torpe, emprego de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima) e por crimes de vilipendio e ocultação de cadáver. A acusação sujeita o cirurgião a condenação variável de 18 a 36 anos de prisão, em regime fechado.
Na quarta-feira, Martin Vargas acolhera pedido da defesa para que o réu receba tratamento médico psiquiátrico no 13.º Distrito Policial, na Casa Verde, onde está preso preventivamente. Ontem, o juiz mandou oficiar o delegado titular daquele distrito para que informe a respeito do tratamento que, eventualmente, seja necessário. O médico que atender Farah deverá prestar esclarecimentos e elaborar relatório minucioso.
O promotor Orides Boiate recorreu ontem da decisão do juiz Martin Vargas, que concedeu habeas-corpus a Farah, para desobrigá-lo a comparecer à reconstituição do crime. O promotor insiste que o réu esteja presente na diligência. Martin Vargas recebeu o recurso, que será julgado pelo Tribunal de Justiça (TJ).

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