Revista rígida causa filas e perda de voo
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segunda-feira, 18 de julho de 2016
Isabela Palhares e Victor Aguiar<br>Agência Estado 
São Paulo - As regras mais rígidas para embarque em voos domésticos causaram transtornos e perda de voos nesta segunda (18), na ponte aérea Rio-São Paulo, principal eixo nacional. Como consequência, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) recomenda agora que passageiros cheguem com pelo menos duas horas de antecedência aos terminais - a orientação dada no fim de semana era de uma hora e meia.
A rigidez que passou a ser adotada nas revistas unificou os cuidados entre embarques nacionais e internacionais no País, o que inclui a revista de passageiros para o acesso às áreas restritas (setor de embarque, pista e aeronaves) e a inspeção de bagagens. A mudança só foi anunciada na sexta-feira (15), o que irritou muitos passageiros. O Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA) informou que não houve tempo hábil para que as companhias aéreas e os terminais se adaptassem.
Em Congonhas, na zona sul de São Paulo, as filas começaram às 5 horas e só foram normalizadas às 9h30. Pelo local, transitam por dia cerca de 52 mil passageiros e o aeroporto tem nove pórticos de inspeção. "Todo o salão de embarque estava tomado por filas. As pessoas estavam muito irritadas porque não conseguiam informações e perderam voos", disse a esteticista Aparecida Oliveira, de 59 anos. Ela chegou de Belo Horizonte às 8 horas para uma escala na capital, de onde seguiria para Belém, e disse ter ficado assustada com a confusão.
Dos 202 voos previstos para Congonhas ontem, 15 atrasaram e 2 foram cancelados até as 18 horas. Nos 49 aeroportos que têm as operações programadas pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), dos 1.225 voos previstos até o horário, 43 atrasaram.
No Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, não houve filas grandes ou atrasos. No entanto, muitos passageiros relataram que não sabiam das mudanças e chegaram em cima do horário do voo.
O SNA informou que solicitou reunião com a Anac e as companhias para que sejam adotadas medidas que "organizem os aeroportos" e prometeu protestos, caso os trabalhadores permaneçam com "sobrecarga". "Tomaram a medida da noite para o dia, como se isso não tivesse consequências para o trabalhador e o passageiro. Não houve tempo de preparo e os funcionários foram convocados a entrar mais cedo, fazer hora extra", disse a diretora executiva, Selma Balbino.(Colaboraram Anne Warth e Janaína Ribeiro)


