Revista mensal para público restrito
Os filmes de terror da década de 70 e o desenho animado ''Scooby Doo'' foram não apenas companheiros como também incentivadores de ideais na infância do jornalista Carlos Primati, de 34 anos, entusiasta do gênero de terror desde pequeno. Apesar de o tempo ter passado, ele diz, não surgiu uma publicação nacional que atendesse a público tão específico e restrito. Esse foi o mote para que, em outubro de 2003, ele criasse a ''Cine Monstro'', revista mensal que circula em todo o Brasil. A novidade é a redação inusitada, da qual fazem parte 15 colaboradores ''virtuais'' na verdade, fãs de estados do Sul e Sudeste do País, cada qual especializado no comentário de um segmento do cinema de terror. Dois deles, por sinal, são de Londrina o designer gráfico Guilherme de Martino e o contabilista Alisson Andrelo Couto (veja textos na página).
''Pelo retorno que temos tido, dá para perceber que tanto o jovem rebelde e fã de rock quanto o pessoal bem mais velho curte esse tipo de publicação'', conta Primati (hoje dono de uma editora e funcionário de outra), por telefone, de Jundiaí (Grande São Paulo). O jornalista é veterano no segmento, tendo participado como pesquisador de vários filmes estrelados por José Mojica Marins, o ''Zé do Caixão''.
Fã de terror, Primati frisa que tem medo, sim, mas não da ficção. ''Tenho pavor de telejornais. Quando eles exibem notícias sobre algum crime mais grotesco, fico com aquilo me perturbando a semana inteira. É extremamente desagradável, pois mostra a podridão real do mundo, não tem nada de fictício'', justifica. Como jornalista, ele reconhece o prazer de parte do público naquilo que é mórbido, mas faz questão de estabelecer uma distinção: ''Quem gosta disso não gosta de filmes de terror, e vice-versa. A morbidez não acrescenta nada, já as produções de terror são mais para crianças, que gostam de ficar assustadas. Nós, os adultos, assistimos mesmo é de teimosia'', brinca.J.G.





