Londrina - Ninguém ensinou L. a esconder droga nas suas partes íntimas. ''Tenho 36 anos, fiz sozinha. É só colocar lá dentro. Me pegaram por causa de denúncia'', disse ela, enquanto estava algemada num banco do corredor do 2º Distrito Policial, na Zona Leste de Londrina.
A auxiliar de carceragem Idelma Rosa foi quem flagrou L. com 65 gramas de maconha e cinco de cocaína. ''Ligaram denunciando. Eu abordei e ela até que colaborou'', relatou.
Quando uma suspeita não colabora, Rosa a acompanha até o Hospital Universitário. ''Lá eles fazem um exame de toque nas partes íntimas. Durante a minha revista eu não ponho as mãos nelas. Normalmente faço com grupo de seis mulheres numa sala. Elas tiram a roupa. Eu revisto todas as peças de vestuário e peço para elas agacharem em frente a um espelho. Depois elas sentam no banco com detector de metal'', explica.
Pelas contas de L., esta foi a quarta vez que levaria droga para dentro do 2º DP. ''Era pro meu amasiado, faz três anos que a gente está junto'', afirmou ela, quando foi presa recentemente.
Com o companheiro de L., um homem de 29 anos, policiais encontraram um celular. A mulher, que negou a autoria do crime, tem duas filhas, uma de 3 e outra de 13 anos. E faz bicos como diarista para sustentar a família.
De acordo com o delegado do 2º DP Cássio Wzorek, flagrantes de mulheres tentanado entrar com drogas ou celulares na carceragem são comuns. ''A maioria faz por dinheiro e tem algumas que falam que fazem pelo amasiado'', afirma.
Segundo o delegado, a pena para o crime, tráfico de drogas, varia de cinco a 15 anos de prisão. Quando a pessoa é flagrada transportando celular para dentro da cadeia, a pena é mais leve e normalmente pode responder em liberdade. Após o flagrante L. foi levada para o 3º DP.
As visitas no 2º DP são permitidas às terça-feiras, das 8h30 às 11 e das 14 às 16h30. Por dia, cerca de 120 pessoas são liberados para entrar na carceragem. O principal requisito para ser autorizado a visitar um preso é não ter antecedentes criminais. ''Quem tem alguma passagem ou está respondendo processo não é liberado'', assevera Idelma Rosa.

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