Revisão em alta das estimativas esconde disparidades
Nova York, 03 (AE-DOW JONES) - A revisão em alta das estimativas de crescimento para a América Latina em 1999 esconde o fato de que muitas economias da região estão tendo desempenho substancialmente pior do que o esperado, escreve Michelle Wallin
da agência Dow Jones.
Em janeiro, em meio à confusão provocada pela desvalorização do real, as previsões eram de que o Brasil registraria contração de 5% e levaria para baixo o desempenho da região no ano. Mas, como o setor privado brasileiro aparentemente havia se preparado para a desvalorização desde o fim de 1998 e as expectativas de recessão e o desemprego limitaram a inflação e permitiram cortes nos juros, o País espera agora contração de apenas 1% em 1999.
Outros países da região, sobretudo México e Peru, também estão no caminho de forte, se não espetacular, crescimento este ano. Graças às ligações com a economia norte-americana e os agressivos pacotes de austeridade no ano passado, o governo mexicano está prevendo crescimento de 3% para o PIB em 1999. O Peru, atingido pelos efeitos do El Niño nos últimos anos, mas agora em recuperação, prevê crescimento de 3% a 4% este ano.
O desempenho destes três países, em particular do Brasil, levou os economistas a revisarem suas estimativas para a América Latina para estagnação ou contração de menos de 1%. No início do ano, as previsões eram de queda de 1,5% ou mais. Mas alguns países - Argentina, Chile, Colômbia, Equador e Venezuela - estão em situação muito pior do que estavam no início do ano.
A Argentina foi obrigada a revisar sua estimativa de recessão para este ano e a previsão oficial agora aponta para contração de 3%, mais do que o dobro da queda esperada originalmente. Isto por causa dos preços baixos de commodities-chave, como cereais e óleo de soja, e dos reflexos da desvalorização no Brasil. A incerteza sobre a política econômica dos candidatos às eleições presidenciais de outubro e uma dependência crônica do financiamento externo para cobrir um crescente déficit orçamentário também prejudicam o país.
O governo da Venezuela é impreciso sobre suas estimativas para a economia em 1999. O novo ministro das Finanças apresentou nas últimas semanas previsões de uma contração de 3% a 4%, de 2% a 3% e de 3% a 5%. No início do ano, o governo projetava queda de apenas 0,8%. Há tantas questões envolvendo as eventuais políticas econômicas do presidente Hugo Chávez, muito popular internamente, que as estimativas do setor privado vão de queda de 4% a 10%.
Enquanto a alta do preço do petróleo beneficiou a Colômbia, sua outra commoditie-chave, o café, continua em queda. O governo
enfrentando uma guerra com a guerrilha, apresentou uma reforma fiscal incompleta e tenta recuperar o frágil sistema bancário. O governo colombiano prevê crescimento de 0,5% a 1% em 1999, enquanto os economistas privados projetam estagnação.
No Equador, embora o governo esteja prevendo queda de 5% a 7% para o PIB, os analistas privados vêem contração catastrófica de 10%, dependendo do que acontecer com o sistema bancário. A moeda despencou, há instabilidade social, e o saneamento dos bancos deve custar US$ 1,5 bilhão. Um acordo com o FMI é visto como fundamental.
Mesmo um país como o Chile, que consistentemente buscou implementar políticas saudáveis, está descobrindo que isto não é suficiente. Com base nos efeitos da queda nos preços das commodities, da seca cujo impacto foi além do setor do eletricidade para atingir a indústria e a agricultura, e da medíocre demanda dos parceiros comerciais na ásia e em outras regiões, o Banco Central está estimando crescimento de 0,5% para 1999. Isto representa uma queda em relação à projeção de expansão de 3% no início do ano. Os economistas privados estimam que o PIB em 1999 ficará inalterado ou apresentará leve contração.





