Brasília, 21 (AE) - O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Mário Marconini, disse hoje que a revisão do acordo firmado pelo governo brasileiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI) estabeleceu como meta para a balança comercial neste ano um saldo positivo de US$ 4 bilhões, contra os US$ 11 bilhões inicialmente previstos.
O FMI e a equipe econômica também chegaram a um consenso sobre o comportamento da economia em 1999. A redução do Produto Interno Bruto (PIB), que estava sendo esperada em 3,8% em relação ao ano passado, foi revista para 1,2%, segundo informou o secretário Marconini. A AGÊNCIA ESTADO apurou que a nova taxa de inflação esperada para este ano caiu de 16% para 12% .
"Um superávit comercial de cerca de US$ 4 bilhões neste ano e uma queda no PIB de 1,2%. Esses são os números que estamos trabalhando com o FMI", afirmou o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, durante entrevista coletiva. Ele ressaltou que um saldo positivo de US$ 4 bilhões na balança comercial significa um esforço de US$ 11 bilhões perante o déficit de US$ 6,4 bilhões acumulado em 1998.
Os novos parâmetros para a economia brasileira no segundo semestre deste ano - comportamento do PIB e taxa de inflação, principalmente -, bem como as novas metas para o comércio exterior, contas públicas, relação entre a dívida líquida do setor público e PIB, entre outras, deverão ser concluídos nesta semana e anunciadas em breve.
A missão do FMI que se encontra no Brasil desde o último dia sete deverá regressar a Washington (EUA) nesta quinta-feira. Nesses quinze dias, os técnicos coletaram dados sobre o desempenho da economia brasileira nos seis primeiros meses deste ano, bem como das finanças públicas. Um dos principais focos de interesse do Fundo é checar se o governo vai cumprir a meta de gerar durante 1999 um superávit primário de 3,1% do PIB nas contas da União, Estados, municípios e estatais.
Nas negociações, o FMI e o governo brasileiro mantiveram todas as previsões de metas fiscais do acordo original. Apesar de uma receita extra de R$ 2,5 bilhões arrecadada no início deste ano por conta do pagamento de dívidas tributárias por parte do setor financeiro - que em troca recebeu o abatimento de juros e multas -, a meta do superávit primário não será elevada. Os recursos vão compensar a perda de receitas decorrente do questionamento, na Justiça, da cobrança da contribuição previdenciária dos servidores inativos e do aumento da alíquota da contribuição do funcionalismo em serviço.
Os parâmetros macroeconômicos fixados no acordo firmado em fevereiro com o FMI serviram de base para os cortes no Orçamento deste ano visando atingir a meta fiscal. Recentemente, o ministro do Orçamento e Gestão, Pedro Parente, declarou que por enquanto tudo indica que as metas fiscais acordadas com o Fundo serão cumpridas, mas não descartou totalmente a adoção de novas medidas de corte nos gastos até dezembro.
A missão do FMI e a equipe econômica também discutiram a implementação da política de metas de inflação que será adotada a partir de julho pelo Banco Central. Um dos pontos mais delicados das negociações é a taxa de câmbio para este ano.

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