Revigorado, Yeltsin faz visita à Terra Santa
Belém, 06 (AE-AP) - Irrompendo em lágrimas ao encontrar Yasser Arafat na Terra Santa, o ex-presidente russo Boris Yeltsin desejou a seu amigo nesta quinta-feira (06) um futuro brilhante para o "querido Estado palestino".
"Quero dizer a meu amigo que ele deveria acreditar na Rússia e confiar na Rússia", disse Yeltsin ao presidente da Autoridade Palestina (AP) ao encontrar com ele em seu palácio em Belém, local de nascimento de Jesus Cristo em um enclave palestino na Cisjordânia.
Yeltsin e líderes de vários países do Leste Europeu foram à região para tomar parte nas celebrações do Natal Ortodoxo, comemorado hoje. O patriarcado ortodoxo concedeu-lhe o mais alto título da igreja: a Estrela do Cavaleiro do Santo Sepulcro.
O ex-presidente russo está tendo uma recepção calorosa por ter sido o primeiro líder democraticamente eleito da Rússia e, no seu governo, ter propiciado o reerguimento da Igreja Ortodoxa.
Antes do almoço, Yeltsin respondeu com entusiasmo às perguntas dos repórteres, discorrendo por longo tempo sobre a questão chechena. "Mais dois meses e, então, colocaremos a bandeira russa na Chechênia", declarou. Horas depois, ao voltar ao assunto, baixou o prazo da vitória para um mês.
No encontro com Arafat, Yeltsin frisou que seu país não mudará sua meta de ajudar os palestinos a ter um Estado.
Em Moscou, o líder do Partido Comunista, Gennady Zyuganov, anunciou hoje sua candidatura nas eleições presidenciais de 26 de março. No pleito de 1996, Zyuganov foi derrotado por Yeltsin no segundo turno.
Chechênia - Os chefes militares russos encontraram-se nesta quinta-feira na cidade de Mozdok, na república russa da Ossétia do Norte - vizinha à Chechênia -, para avaliar a estratégia a ser adotada para vencer a dura resistência dos rebeldes separatistas em Grozny e no sul da república chechena.
As forças chechenas estão atacando em outra frente: a das denúncias contra as ações dos russos. Hoje, o diário britânico The Independent publicou declarações, filmadas em vídeo por um jornalista turco, de uma suposta "confissão" de um oficial russo capturado pelos rebeldes.
O militar, identificado como Alexei Galtin, do serviço de inteligência militar, diz que os atentados contra edifícios residenciais em setembro, na Rússia, foram feitos por agentes secretos russos para culpar os rebeldes chechenos.
Nas explosões morreram quase 300 pesoas. O Ministério da Defesa não confirmou se esse oficial existe e foi realmente preso.
Líderes rebeldes também disseram ter provas de que 700 civis foram mortos em campos de concentração nas áreas ocupadas pela Rússia.





