Bogotá, 08 (AE-ANSA) - O governo do presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, informou nesta terça-feira (08) que poderia convocar um referendo após uma comissão do Senado rechaçar um projeto de reforma constitucional com o qual pretendia obter poderes especiais para impulsionar as negociações de paz com os guerrilheiros de esquerda.
O Congresso colombiano negou a Pastrana poderes especiais para anistiar, indultar, suspender penas e interromper processos judiciais contra guerrilheiros com a finalidade de negociar a paz.
A concessão desses poderes estava incluída em um pacote de reformas constitucionais de caráter político rejeitado integralmente na penúltima das oito sessões às quais seria submetido numa comissão do Senado.
Imediatamente após a derrota no Congresso, Pastrana reuniu-se com membros de seu gabinete para analisar a situação. O ministro do Interior, Néstor Humberto Martínez, advertiu os congressistas de que o governo pode convocar um referendo para aprovar a concessão dos poderes, caso eles não o façam.
A reforma, apresentada logo depois de Pastrana chegar ao poder
em agosto, é considerada pelo governo imprescindível para que se possa alcançar a paz com as duas principais guerrilhas do país - as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN).
Mas o oposicionista Partido Liberal, que mantém a maioria no Legislativo, estima que a aprovação do pacote daria poderes "imperiais" ao presidente.
Ao mesmo tempo em que reivindicava mais poderes, Pastrana anunciava hoje estar negociando com a cúpula do ELN a libertação de cerca de cem reféns tomados pela guerrilha em três ousadas ações nas últimas semanas: o desvio de um avião da companhia Avianca, o sequestro de dezenas de fiéis numa igreja em Cali e a captura de dez sócios de um clube de pesca desportiva no Rio Magdalena.
A finalidade dos sequestros em massa é forçar o governo a negociar um acordo de paz sob condições impostas pelos guerrilheiros. Em pelo menos um ponto, Pastrana já admite ter cedido: ele concordou em retirar todos os soldados de uma vasta área do norte do país para dialogar com o ELN.
A desmilitarização de uma área do sul colombiano permitiu a abertura de negociações de paz com as Farc, mas tem causado profundas divisões entre o governo e a cúpula militar.
Por discordar da política de desmilitarização de áreas sob influência dos grupos rebeldes, a maioria dos líderes militares do país renunciou há duas semanas. A crise, porém, foi contornada e Pastrana recusou-se a passar os militares para a reserva.

mockup